Comboio com ajuda para 40 mil pessoas entra em zona sitiada na Síria

Damasco, 30 Out 2017 (AFP) - Um comboio da ONU e do Crescente Vermelho sírio transportando ajuda para 40.000 pessoas entrou nesta segunda-feira (30) em Ghuta Oriental, zona rebelde sitiada perto de Damasco - informou uma porta-voz da ONU à AFP.

Formado por 49 caminhões, o comboio entrou na localidade, sitiada desde 2013, em um momento crítico, com vários casos de desnutrição grave entre as crianças.

O último comboio a ter acesso à região foi em setembro passado.

"Entramos em Ghuta Oriental", indicou a porta-voz do Escritório para os Assuntos Humanitários da ONU (Ocha) para a Síria, Linda Tom, indicando que a ajuda se destina a 40.000 pessoas.

"São 49 caminhões que transportam 8 mil pacotes de alimentos e um número equivalente de sacos de farinha, medicamentos, equipamentos médicos e outros auxílios alimentares", disse à AFP Mona Kurdi, porta-voz do Crescente Vermelho sírio.

O comboio se dirigiu a várias localidades de Ghuta, incluindo Kafar Batna e Saqba.

Uma delegação composta por funcionários da Organização Mundial da Saúde (OMS) viajou junto com o comboio e visitou o hospital de Kafr Batna para avaliar o estado de saúde das crianças.

"Não queremos comida, só queremos que isso acabe", gritou uma mãe desesperada que carregava seu filho nos braços.

Segundo Amani Ballur, pediatra no hospital, "há numerosos casos de desnutrição grave, alguns dos quais precisam ser evacuados".

Ghuta Oriental é um dos últimos redutos da rebelião síria que combate o governo de Bashar al-Assad há seis anos.

Em 22 de julho, a Rússia anunciou a conclusão de um acordo de trégua com grupos rebeldes "moderados" no leste de Ghuta, estabelecendo na região uma "zona de distensão".

A ajuda humanitária chega a conta-gotas em Ghuta e deve primeiro obter permissão do governo de Damasco.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de 1.100 crianças sofrem de desnutrição aguda na área.

Em 21 de outubro, a AFP publicou a foto de um bebê com apenas um mês de vida, em um estado esquelético, que morreu dias depois em uma clínica na cidade de Hammuriyé.

A ONU condenou a "privação de comida deliberada" como uma tática de guerra, após a publicação de imagens "chocantes" de crianças esqueléticas em Ghuta.

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