Maioria das tartarugas marinhas do norte da Grande Barreira de Coral agora são fêmeas

Miami, 8 Jan 2018 (AFP) - A grande maioria das tartarugas-verdes marinhas do norte da Grande Barreira de Coral agora são fêmeas por causa das temperaturas mais altas em consequência das mudanças climáticas, o que influencia no seu sexo durante a incubação, disseram pesquisadores nesta segunda-feira (8).

A população de cerca de 200 mil fêmeas desovando na área ao longo da costa leste de Queensland, Austrália, é uma das maiores do mundo, e poderia entrar em colapso sem mais machos, de acordo com um estudo publicado na revista científica Current Biology.

A temperatura na qual os ovos chocam determina seu sexo. Os ninhos mais quentes, que são cavados nas praias, significam mais fêmeas. Apenas alguns graus podem determinar a diferença entre uma relação de sexos equilibrada e desequilibrada.

"Com a previsão de aumento de 2,6 graus Celsius da temperatura média global até 2100, muitas populações de tartarugas marinhas estão em perigo de alta taxa de mortalidade de ovos e produção de prole feminina somente", disse o estudo.

Uma vez que descobrir o sexo dos ovos enterrados é difícil, os pesquisadores decidiram pegar tartarugas marinhas e usar testes genéticos para descobrir de onde elas vieram.

Eles trabalharam em uma área onde duas populações diferentes de tartarugas-verdes (Chelonia mydas) forrageiam - uma de uma área mais quente e outra de uma área mais fria.

Depois de analisar 411 exemplares, eles encontraram um "viés de sexo feminino moderado" em tartarugas nas praias do sul da Grande Barreira de Coral, mais frio, onde cerca de 65-69% eram fêmeas.

Mas entre aqueles que estavam no norte da Grande Barreira de Coral, mais quente, havia um "desequilíbrio extremo para o sexo feminino", com 99,1% de fêmeas entre os jovens e 99,8% entre os jovens e adultos.

Um total de 86,8% das tartarugas adultas da área eram do sexo feminino.

A tendência de produzir mais mulheres em áreas quentes está em curso há mais de duas décadas, de acordo com o autor principal, Michael Jensen, da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos.

Os especialistas dizem que há estratégias que podem ajudar, como levantar tendas com sombras sobre praias onde as tartarugas aninham para mantê-las frescas.

As tartarugas-verdes marinhas são consideradas ameaçadas em grande parte do mundo, por detritos costeiros, perda de habitat, redes de pesca e poluição, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza.

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