Igreja australiana participará de sistema de ajuda a vítimas de pedofilia

Sydney, 30 Mai 2018 (AFP) - A Igreja australiana anunciou nesta quarta-feira que vai participar de um mecanismo nacional de apoio e indenização às vítimas de crimes de pedofilia, estimando que "merecem justiça".

Após uma década de revelações, o governo australiano cedeu às pressões em 2012 e criou uma comissão para examinar a resposta institucional aos crimes de pedofilia.

Em seu relatório, esta comissão considerou em dezembro que a Austrália "deixou de cumprir suas obrigações" com seus filhos durante décadas.

Com base no testemunho de milhares de vítimas, aponta que 7% dos religiosos católicos australianos foram acusados de abuso sexual de crianças entre 1950 e 2010, sem que as suspeitas levassem a investigações.

A comissão fez 409 recomendações, incluindo a criação de um dispositivo nacional de assistência às vítimas que lhes proporcionará assistência psicológica e compensação financeira.

Com exceção da Austrália Ocidental, todos os governos estaduais da Austrália anunciaram que vão participar neste dispositivo que poderia fornecer até 150.000 dólares australianos (113.000 dólares) para cada vítima como indenização.

Com este anúncio carregado de simbolismo, a Igreja tornou-se a primeira entidade não governamental que participa do dispositivo.

"Apoiamos a recomendação da Comissão Real sobre um mecanismo de indenização (...) e queremos participar", declarou o presidente da Conferência Episcopal da Austrália, Mark Coleridge.

As vítimas "merecem justiça e apaziguamento e muitas são aquelas que mostraram coragem ao contar sua história".

A comissão foi contactada por mais de 15.000 pessoas que disseram ter sido vítimas de atos de pedofilia que envolveram a Igreja, orfanatos, clubes esportivos, escolas ou organizações juvenis.

Mais de 4.000 instituições estariam envolvidas, incluindo numerosas organizações católicas.

O arcebispo de Adelaide, Philip Wilson, de 67 anos, foi considerado culpado na semana passada por acobertar os crimes de pedofilia nos anos 1970, tornando-se um dos eclesiásticos católicos de mais alto nível condenados nesses casos.

A lei que estabelece o dispositivo, votada na terça-feira, entrará em vigor no dia 1º de julho.

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