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O futuro de Keiko Fujimori nas mãos de um juiz no Peru

26/10/2018 16h37

Lima, 26 Out 2018 (AFP) - A Justiça peruana retomou nesta sexta-feira (26) uma audiência sobre o pedido de prisão para a líder opositora Keiko Fujimori, que está na mira de um procurador anticorrupção, depois de comandar o destino do Peru das sombras nos dois últimos anos.

A audiência está a cargo do juiz Richard Concepción Carhuancho, que decidirá se a manda para a prisão preventiva por 36 meses, além de outros 10 dirigentes e funcionários de seu partido, Força Popular (direita populista), o mais votado nas eleições gerais de 2016.

A Procuradoria os acusa de fazer parte de uma "organização criminosa" dentro do partido fujimorista, que recebeu e encobriu 1,2 milhão de dólares dados ilegalmente pela empreiteira Odebrecht à campanha de Keiko em 2011.

Provavelmente, o juiz anunciará a sua decisão neste final de semana, depois de ouvir as alegações do procurador José Domingo Pérez e dos defensores de cada um dos 11 investigados.

"O acusado Vicente Silva Checa está vinculado à cúpula" que operava como "uma organização criminosa" dentro do Força Popular, assinalou o procurador, sustentando, nesta sexta, o pedido de prisão preventiva para este advogado, a quem acusa de ser assessor de Keiko nas sombras.

Desde o início da audiência, no domingo passado, as alegações se centram em um possível perigo de fuga do país, ou de obstrução à Justiça, se os acusados seguirem em liberdade. O juiz não deve se pronunciar sobre o mérito da acusação.

"Fico preocupada que (...) você já tenha tomado uma decisão", assinalou Keiko ao juiz na quinta-feira, qualificando de "mentiras" as acusações do procurador, que, momentos antes, havia afirmando que "apenas a prisão preventiva de Keiko Fujimori garantiria a averiguação da verdade".

"Existem testemunhas que têm medo de depor. Estamos diante de uma organização criminosa", afirmou o procurador.

A advogada de defesa de Keiko, Giuliana Loza, respondeu indicando que "não há argumento algum para privar Keiko Fujimori de liberdade nem por uma hora".

Keiko, de 43 anos, já passou uma semana em prisão preliminar por este mesmo caso no início do mês.

Sob controle fujimorista, o Congresso peruano não deu trégua ao ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski até forçá-lo a renunciar à Presidência em março.

Keiko não é membro do Congresso, mas todas as suas resoluções eram ditadas por ela das sombras, aproveitando a ampla maioria que tem no Parlamento desde 2016.

Algumas conversas de WhatsApp e Telegram entre Keiko e seus legisladores, apresentadas pelo procurador como provas na audiência, confirmam a "submissão" dos parlamentares do Força Popular às suas decisões.