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Merkel nega ter perdido influência em início da disputa por sua sucessão

30/10/2018 13h05

Berlim, 30 Out 2018 (AFP) - Angela Merkel afastou nesta terça-feira os temores de sua perda de influência no mundo após o anúncio de sua progressiva retirada política, enquanto começa na Alemanha a disputa para sucedê-la.

"Não acho que isso mude a influência nas negociações internacionais. Pelo contrário, terei até mais tempo para me concentrar nas tarefas de chefe de governo", declarou a chanceler em Berlim, durante uma coletiva de imprensa com o presidente egípcio Abdel Fattah al Sissi.

No poder há 13 anos, Angela Merkel foi forçada na segunda-feira a iniciar sua retirada política depois de mais uma derrota eleitoral de seu partido em uma eleição regional em Hesse.

Apesar das afirmações da chanceler, muitos temem que ela perca força tanto no âmbito interno como no internacional.

"O papel de dirigente de Merkel na União Europeia poderá agora ser coisa do passado", avalia Lüder Gerken, analista do Centro de Política Europeia (CEP), um instituto alemão.

Há dúvidas ainda sobre a capacidade de Merkel - recorde de longevidade no poder na Europa ocidental - manter-se mais três anos no cargo de chefe de governo, até o final de seu mandato em 2021.

"Acaba o reinado de Merkel", dizia a manchete do jornal Bild nesta terça-feira. "Chega ao fim a era Merkel", concorda o Süddeutsche Zeitung.

A popularidade de Merkel não para de cair desde a sua decisão de abrir a fronteira de seu país a mais de um milhão de refugiados em 2015 e 2016.

- Risco -A renúncia a presidir seu partido supõe um risco político importante, com uma CDU que poderá ganhar autonomia crescente, enfraquecendo a chanceler no nível nacional e europeu.

Assim resumiu o presidente da Câmara dos Deputados e ex-ministro da Chancelaria Wolfgang Schäuble: "A legislatura atual ainda tem que durar três anos. Vamos ver se este será o caso".

"Ela pode não estar tão forte como no auge de sua carreira, e isso é óbvio após os recentes resultados eleitorais", acrescentou. Neste contexto "quanto tempo Merkel ainda será capaz de aguentar?", questionou o semanário Der Spiegel.

"Quando o poder começa a escapar, pode evaporar muito rapidamente", acrescentou, duvidando da capacidade da chanceler de permanecer no poder até 2021.

A líder da primeira economia europeia dará um primeiro passo decisivo em pouco mais de um mês, quando passar a direção CDU.

- Candidatos -Três candidatos já declararam internamente sua intenção de sucedê-la nesta posição considerada um passo em direção à Chancelaria.

Entre eles estão a secretária-geral do partido, Annegret Kramp-Karrenbauer, e o ministro da Saúde, Jens Spahn.

Outros poderiam seguir o mesmo caminho, como o líder da poderosa região da Renânia do Norte-Vestefália, Armin Laschet.

A chanceler insistiu que não tem um favorito. O novo presidente será eleito por um milhar de delegados reunidos em 7 e 8 de dezembro em Hamburgo.

Annegret Kramp-Karrenbauer, conhecida como "AKK", é apontada como a protegida de Angela Merkel. As duas mulheres compartilham uma linha política bastante centrista.

Partidário de uma guinada à direita, o ambicioso Jens Spahn, de 38 anos, é considerado o "líder da oposição interna".

Ele criticou em várias ocasiões a chanceler, particularmente em questões de imigração, desde a decisão histórica de Merkel de acolher um milhão de migrantes em 2015 e 2016. Mas ainda pode lhe faltar experiência aos olhos de alguns quadros.

Ex-estrela em ascensão do partido, Friedrich Merz, que mantém uma linha muito conservadora, também decidiu tentar a sorte, embora tenha deixado a cena política devido à sua rivalidade om Angela Merkel.

Para um dos caciques da CDU, o ministro-presidente da Saxônia, Michael Kretschmer, a saída de Angela Merkel é em qualquer caso "uma chance para um novo começo" do partido.

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