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Internacional

Governo palestino apresenta renúncia ao presidente

29/01/2019 12h03

Ramallah, Territórios palestinos, 29 Jan 2019 (AFP) - O governo palestino apresentou sua renúncia ao presidente Mahmud Abbas nesta terça-feira (29) - anunciou a agência oficial de notícias Wafa, em um contexto de crescentes divergências entre as organizações palestinas.

O Executivo continuará assumindo "todas as suas responsabilidades até que um novo governo seja formado", disse Wafa, citando uma declaração do conselho de ministros.

A demissão era esperada. Na segunda-feira, o primeiro-ministro palestino, Rami Hamdallah, apresentou a renúncia de seu governo.

Principal interlocutor da comunidade internacional, Abbas está imerso na formação de uma nova coalizão.

Os analistas veem nesse esforço outro meio de isolar seus rivais do Hamas, no poder na Faixa de Gaza.

Hamdallah reiterou essa questão durante uma visita a Hebron, sul da Cisjordânia ocupada, mas assegurou que não se tratava de marginalizar o Hamas.

"Esperamos que todas as organizações palestinas participem desse (novo) governo e convoco o Hamas a fazer parte dele", declarou.

Hamdallah propôs em várias ocasiões a renúncia de seu governo, sem que tenha entrado em vigor.

O governo palestino emana da Autoridade Palestina, uma entidade internacional provisoriamente reconhecida e destinada a prefigurar um Estado independente que integraria a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, separadas por algumas dezenas de quilômetros de território israelense.

O Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza em 2007, depois de uma luta fratricida com o Fatah de Abbas. O Fatah predomina na Autoridade, após a recusa da comunidade internacional em reconhecer a vitória dos islamistas nas eleições parlamentares de 2006.

A Autoridade governa atualmente apenas setores da Cisjordânia ocupada.

O atual governo estabelecido na Cisjordânia é o vestígio de um gabinete de personalidades independentes que o Fatah e o Hamas concordaram em criar em 2014, quando as duas formações anunciaram sua reconciliação.

No domingo à noite, o comitê central do Fatah recomendou a formação de um novo governo formado por membros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), uma entidade internacionalmente reconhecida que representa os palestinos nos territórios e na diáspora.

O Hamas não faz parte da OLP.

As divisões entre os palestinos são consideradas um dos principais obstáculos para tentar acabar com o conflito com Israel e uma solução para os males que atingem Gaza, como conflitos, pobreza e os bloqueios israelense e egípcio.

Todos os esforços para acabar com mais de uma década de divisões devastadoras entre o Fatah e o Hamas fracassaram.

Para Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, um governo formado fora de um consenso nacional seria "sem legitimidade".

Abbas tomou uma série de medidas de retaliação nos últimos anos para tentar, em vão, forçar o Hamas a entregar o poder à Autoridade Palestina em Gaza.

Para os observadores, essas medidas alimentam as tensões no enclave, que chegou perto de uma nova guerra com Israel em 2018.

A Autoridade está preocupada com ser marginalizada ao ver atores internacionais, confrontados com a situação aguda em Gaza, lidando com o Hamas.

Também está alarmada com a disjunção crescente entre a Cisjordânia e Gaza e o risco de que esse deslocamento pesará sobre a criação de um Estado palestino compreendendo ambos os territórios.

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