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Venezuela tem novo apagão na véspera de protestos contra Maduro

29/03/2019 23h02

Caracas, 30 Mar 2019 (AFP) - A Venezuela voltou a sofrer, nesta sexta-feira, um grande apagão, na véspera dos protestos convocados pelo líder opositor Juan Guaidó contra a situação caótica do país, que atribui ao governo do presidente Nicolás Maduro.

Caracas e outras grandes cidades da Venezuela ficaram novamente sem energia elétrica, no momento em que o país se recuperava de um apagão que o paralisou durante quatro dias.

A queda ocorreu às 19H10 local (20H10 Brasília), deixando as escuras a capital e cidades como Maracaibo, Valencia, Maracay e San Cristóbal, informaram usuários nas redes sociais.

A estatal Corporação Elétrica Nacional (Corpoelec) não informou sobre as causas ou o alcance do novo apagão.

Desde 7 de março passado, repetidos cortes de energia têm afetado a Venezuela, prejudicando o fornecimento de água, o transporte público, os serviços de telefonia e internet, e paralisando as transações eletrônicas, fundamentais em um país onde a inflação é galopante.

O governo de Nicolás Maduro afirma que os apagões são provocados por "ataques" contra a hidroelétrica de Guri, que gera 80% da energia consumida no país, patrocinados por Estados Unidos e a oposição.

- Ajuda humanitária -Em outra frente da disputa entre Maduro e Guaidó, a Cruz Vermelha anunciou nesta sexta que distribuirá ajuda humanitária na Venezuela para paliar a severa escassez de medicamentos, alimentos e insumos hospitalares.

Em um prazo de aproximadamente 15 dias estaremos com capacidade de oferecer a ajuda (...). Esperamos ajudar 650.000 pessoas em um primeiro momento", declarou nesta sexta-feira em Caracas Francesco Rocca, presidente da Federação Internacional da Cruz Vermelha.

O anúncio marca uma guinada na política de Maduro, que nega que o país petroleiro sofra uma "crise humanitária", como denuncia Guaidó, embora se mostre aberto à cooperação internacional sem "interferências".

Rocca não deu detalhes sobre a ajuda, mas mencionou antibióticos, kits cirúrgicos e acompanhamento na compra e na renovação de tecnologia destinada aos abalados hospitais, inclusive com fontes de energia, para enfrentar os recorrentes apagões na Venezuela. Um corte maciço, ocorrido na segunda-feira, paralisou o país por quatro dias.

"É uma operação muito similar à que está ocorrendo na Síria", afirmou o diretor sobre o tamanho da ajuda.

Rocca destacou que a organização vai agir de acordo com seus princípios de "imparcialidade, neutralidade e independência", "sem aceitar interferências de ninguém".

- 'Operação liberdade' -A Venezuela enfrenta uma forte escassez de alimentos e remédios, já que o governo, seu principal importador, não tem liquidez devido ao colapso da produção de petróleo - responsável por 96% de suas receitas - e sua expulsão dos mercados financeiros como resultado das sanções do Estados Unidos.

Segundo a ONU, quase um quarto dos 30 milhões de venezuelanos necessitam ajuda "urgente".

Este sábado haverá novas mobilizações convocadas por Maduro e Guaidó, que prepara a "operação liberdade", uma mobilização em direção ao palácio presidencial de Miraflores, em data a ser definida, para assumir seu controle.

"A operação Liberdade é um trabalho de todos", afirmou o opositor no populoso setor de El Valle, na capital, onde supostos militantes governistas ativaram uma bomba de gás lacrimogêneo antes de sua chegada, gerando confusão.

Os opositores protestarão contra o caos que tomou conta do país, enquanto Maduro ativará a chamada "operação em defesa da liberdade".

A entrada de assistência tornou-se um dos elementos centrais da crítica de Guaidó, presidente interino da Venezuela reconhecido por mais de 50 países, liderados pelos EUA.

"Não acho que ninguém, nem o senhor Maduro, nem o senhor Guaidó, possam se orgulhar da vitória. Ninguém está ganhando aqui. Precisamos salvar vidas", explicou Rocca.

A Casa Branca celebrou o anúncio da Cruz Vermelha. "Esperamos que funcione e, supondo que sim (...), os Estados Unidos ficarão satisfeitos de colocar algo de sua ajuda", disse Elliott Abrams, representante do governo Trump para a crise venezuelana.

Em 23 de fevereiro, os carregamentos de alimentos e suprimentos médicos administrados por Guaidó e enviados por Washington para a Colômbia e o Brasil foram bloqueados pelo governo socialista, em meio a tumultos que deixaram cerca de sete mortos e dezenas de feridos.

Maduro argumentou que essas acusações eram o preâmbulo de uma intervenção militar.

Guaidó adotou um tom vitorioso ao anunciar que em breve o país receberia "ajuda humanitária", garantindo que isso é "resultado da pressão" realizada por ele.

"O regime reconhece seu fracasso ao aceitar a existência de uma emergência humanitária complexa", afirmou.

- Medicamentos da China e missão da Rússia -Mais cedo, o governo de Maduro chamou a imprensa para cobrir a chegada, nesta sexta, de "medicamentos e suprimentos médicos descartáveis" provenientes da China, um dos maiores aliados do presidente, ao lado da Rússia.

Há uma semana, a Rússia enviou uma missão militar a Caracas, que foi considerada uma "provocação" pela Casa Branca.

Nesta sexta-feira, Abrams disse que a mobilização de militares e equipes da Rússia na Venezuela busca em grande medida reparar um sistema de mísseis danificado, e que Washington acredita que Moscou enviou cerca de 100 pessoas a Caracas para fornecer "assistência técnica".

"Parece que estão ajudando o regime com o sistema de mísseis terra-ar S-300, que aparentemente foi interrompido (...) com o apagão", disse o funcionário americano em coletiva de imprensa.

O ministro da Defesa da Venezuela, general Vladimir Padrino, rebateu as acusações.

"É segredo para alguém que a Venezuela tem uma cooperação técnico-militar (com a Rússia) desde 2001? (...) Ninguém precisa se alarmar. Estamos simplesmente cooperando", disse Padrino, em declarações transmitidas pela televisão estatal.

Nesta sexta, contudo, a Rússia inaugurou um centro de formação militar para pilotos de helicópteros.

Os venezuelanos "receberão treinamento completo sobre o funcionamento e a utilização dos helicópteros Mi-17V-5, Mi-35M e Mi-26T em condições próximas à realidade", afirmou Viacheslav Davydenko, porta-voz da Rosoboronexport, empresa pública para venda de armamentos, à agência russa Interfax.

Maduro atribui o desabastecimento às sanções dos Estados Unidos para asfixiá-lo economicamente e forçá-lo a entregar o poder a Guaidó.

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