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Candidato peronista descarta moratória na Argentina

Candidato peronista descarta calote ou reestruturação de dívida adquirida durante governo liberal de Mauricio Macri - Agustin Marcarian/Reuters
Candidato peronista descarta calote ou reestruturação de dívida adquirida durante governo liberal de Mauricio Macri Imagem: Agustin Marcarian/Reuters

Da AFP, em Buenos Aires

22/08/2019 15h26

A Argentina não vai dar calote, nem reestruturar a dívida adquirida durante o governo liberal de Mauricio Macri, garantiu hoje o candidato peronista de centro esquerda Alberto Fernández, favorito para as eleições presidenciais de outubro.

A declaração foi dada durante o seminário "Democracia e Desenvolvimento", organizado pelo grupo editorial Clarín.

Segundo ele, "a Argentina não tem chance de entrar em moratória, se eu for presidente. É muito prejudicial para uma sociedade".

Fernández, que lidera a chapa composta com a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), saiu como franco favorito para as presidenciais de 27 de outubro, depois de obter 47% dos votos nas primárias de 11 de agosto, bem acima de Macri (32%).

O candidato diferenciou a situação atual da de 2003, quando "uma dívida que começou na ditadura (1976-1983)" de US$ 100 bilhões entrou em moratória em dezembro de 2001, com anulação de 75% dela.

"Ninguém pode defender seriamente uma anulação, porque é uma dívida contraída há dois anos por um governo democrático, eleito pelos argentinos", afirmou.

Alberto Fernández foi chefe de gabinete de Néstor Kirchner (2003-2007) e no primeiro ano de mandato de Cristina Kirchner (2008).

"É preciso acabar com a ideia de que nós vamos dar calote em compromissos assumidos. Isso é falso e prejudica o presente", insistiu.

Os mercados reagiram muito mal à derrota eleitoral de Macri, com o derretimento de 20% da moeda argentina e o aumento de mais de mil pontos no risco-país medido pelo JP Morgan.

"Se a Argentina hoje tiver que pagar os títulos, nas condições em que está, dificilmente vai conseguir", alertou, propondo-se a "voltar a colocar a economia para andar para conseguir os dólares" para pagar.

A Argentina está em recessão há mais de um ano, quando uma corrida cambial abriu uma crise que levou o governo de Macri a recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI). A instituição lhe concedeu um empréstimo de 56 bilhões de dólares em troca de um programa de forte ajuste fiscal.

Combate à inflação

Seu principal desafio será domar a inflação, estimada em 55% para 2019.

"É muito difícil reduzir. Se eu conseguir em quatro anos (de um eventual mandato) terminar com inflação de um dígito, serei o cara mais feliz do mundo. Trabalharei para conseguir, mas partimos de um cenário muito ruim", explicou.

Dado o sufoco atual, devido à falta de moeda estrangeira na Argentina, ele descartou a aplicação de um "estoque" (limite na disponibilidade de dólares), ou assumir mais dívidas. Também afirmou ser contra o controle de capital "em termos de proibir a saída de dólares, ou estabelecer taxas de câmbio diferentes".

Em vez disso, Fernández se disse inclinado a impor limites à saída de fundos para evitar a especulação financeira.

O candidato ainda afirmou que os princípios que vão reger sua gestão serão garantir o superávit fiscal e comercial, acumular reservas, sair da dívida e que o dólar seja administrado para tornar as exportações competitivas, além de controlar a inflação.

Para sair da recessão, ele anunciou que pretende convocar "um enorme acordo" envolvendo empresários, sindicatos e o Estado, sem implicar uma reforma previdenciária, ou trabalhista.

A crise na Argentina

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