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Boris Johnson luta contra o tempo no Parlamento a nove dias do Brexit

22/10/2019 09h26

Londres, 22 Out 2019 (AFP) - O novo acordo alcançado contra todas as probabilidades por Boris Johnson com a União Europeia (UE) enfrenta nesta terça-feira duas votações importantes no Parlamento britânico, que vão determinar se pode ser adotado a tempo do Brexit no final do mês.

O primeiro-ministro conservador, totalmente contrário ao adiamento da saída da UE prevista para o dia 31, já tentou duas vezes obter a aprovação dos deputados para o texto concluído na semana passada em Bruxelas.

Mas fracassou: no sábado, os legisladores decidiram adiar sua decisão até a aprovação da legislação necessária para implementá-lo e, dois dias depois, o presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, se recusou a debatê-lo novamente por considerá-lo "repetitivo".

Neste contexto, nesta terça-feira, o Executivo submete a um debate e votação o projeto de lei que deve traduzir o chamado Tratado de Retirada em lei, numa tentativa de fazer com que seja adotado em apenas três dias.

Para entrar em vigor, o acordo deve ser ratificado pelo Parlamento de Westminster e pela Eurocâmara, mas anunciou que esperará para ver o que os deputados britânicos vão fazer antes de poder votar.

"Espero que o Parlamento vote hoje para recuperar o controle para si e para o povo britânico e que o país possa começar a se concentrar" em outras questões, deve dizer Johnson na abertura dos debates, de acordo com um trecho de seu discurso. "A população não quer mais atrasos, nem os outros líderes europeus, nem eu os quero".

Fortalecido depois de ter conseguido o que parecia impossível, renegociar o impopular acordo anterior com a UE, Johnson espera reunir um apoio majoritário ao seu novo texto, graças ao apoio dos conservadores mais eurocéticos, muitos independentes e um bom número de opositores trabalhistas que são favoráveis ao Brexit.

Ele está confiante de que, apesar da rejeição de seu aliado, o pequeno partido unionista norte-irlandês DUP, o projeto passará por uma votação preliminar marcada para 18h00 GMT (15h00 de Brasílias).

Se conseguir, será o primeiro passo de uma primeira vitória no Parlamento desde que chegou ao poder no final de julho para substituir Theresa May, que acabou renunciando em razão do bloqueio político.

Mas, se falhar, todo o processo será encerrado, porque o governo não pode submeter à votação a mesma lei duas vezes na mesma sessão parlamentar.

O país seria confrontado com o dilema de um temido Brexit sem acordo no final do mês ou, mais provavelmente, com um novo adiamento.

Johnson foi forçado pelos deputados a pedir relutantemente uma nova extensão de três meses para a UE e é difícil imaginar que, diante do risco de uma partida brutal dolorosa, seus 27 parceiros europeus rejeitem a solicitação.

acc/es/mr

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