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Detectada presença de pesqueiros em área de proteção de vaquita marinha no México

23/10/2019 17h54

México, 23 Out 2019 (AFP) - Cientistas que patrulham o Golfo da Califórnia, no noroeste do México, denunciaram nesta quarta-feira (23) que encontraram dias atrás dezenas de embarcações de pesca em zonas de proteção da vaquita marinha (Phocoena sinus), o mamífero marinho mais ameaçado de extinção no mundo.

"Os barcos, que usam redes proibidas de pesca usadas para camarões e peixes-leite e corvinas, somaram até 70 e foram vistos em grupos de até 28 (...) em 17 de outubro passado", disse em um comunicado a organização Sea Shepherd.

Segundo o grupo ambientalista, os barcos foram localizados em uma área de "tolerância zero" de 150 km2, e um estava particularmente perto de um exemplar de vaquita marinha.

A pesca nesta região é proibida para proteger a espécie, da qual estima-se existir menos de 20 exemplares.

Diante desta medida, o governo mexicano tinha prometido apoio aos pescadores. No entanto, a Sea Shepherd disse que o dinheiro não é distribuído há 11 meses.

"O resultado é que centenas de barcos pequenos voltaram ao mar", disse.

"É desolador que com menos de 20 vaquitas, essa área crítica ainda tenha redes de pesca", disse o diretor de campanhas do Sea Shepherd, Locky MacLean, citado no comunicado.

A vaquita marinha, espécie endêmica do Golfo da Califórnia, é vítima da crescente caça ilegal de corvina branca, outra espécie em perigo, cuja bexiga natatória é uma iguaria cobiçada na China, onde cada peça chega a custar 100.000 dólares.

A vaquita pode ficar presa nas redes de corvina-branca e morrer afogada.

Apenas em 10 de setembro, cientistas envolvidos na conservação da espécie tinham anunciado o avistamento de seis exemplares.

O anúncio ocorreu em um momento em que o governo mexicano parece ter deixado de lado a proteção da vaquita marinha, considerada o mamífero marinho sob o maior risco de extinção no mundo.

Embora desde 2015 o governo mexicano tenha aumentado os esforços para proteger a espécie, com o ex-presidente Enrique Peña Nieto liderando pessoalmente iniciativas de preservação, a administração de Andrés Manuel López Obrador, que assumiu em dezembro, deixou o tema quase fora da agenda.

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