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EUA executa segundo preso federal esta semana após maratona judicial

16/07/2020 13h47

Washington, 16 Jul 2020 (AFP) - Um homem condenado à morte por assassinato foi executado nesta quinta-feira (16) com uma injeção letal nos Estados Unidos por um crime federal, apesar das alegações de seus advogados de que ele sofria de demência.

Wesley Ira Purkey, 68 anos, de Kansas, foi declarado morto às 08H19 (horário local) na prisão de Terre Haute, no estado de Indiana, informou o Departamento de Justiça.

Um jornalista do Indianapolis Star que testemunhou a execução disse que Purkey parecia lúcido e consciente de seu entorno depois de ser amarrado a uma maca.

"Lamento profundamente a dor e o sofrimento que causei à família de Jennifer", disse o condenado em suas últimas palavras, nas quais considerou que sua morte "é inútil".

Purkey foi o segundo condenado federal a ser executado pelos Estados Unidos nesta semana, após a morte de Daniel Lee na terça-feira, depois que o presidente Donald Trump ordenou a retomada das execuções federais após um hiato de 17 anos. Duas outras execuções estão agendadas para sexta-feira e para 28 de agosto.

Purkey foi condenado em 2003 por estuprar e assassinar uma garota de 16 anos, antes de desmembrá-la e queimar seu corpo. Depois disso, ele jogou as cinzas em uma fossa séptica.

Sua execução foi adiada várias vezes, graças aos recursos de seus advogados, que alegaram que o executado sofria de Alzheimer e esquizofrenia.

Rebecca Woodman, uma das advogadas de Purkey, alegou que Purkey sofreu "sérios danos cerebrais e doenças mentais".

"Embora ele aceite a responsabilidade por seu crime há muito tempo, ele não tem mais um entendimento racional", para enfrentar a execução, acrescentou a advogada antes de sua morte.

Nesta quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal aprovou a a execução.

O procurador-geral Bill Barr anunciou no ano passado o fim da moratória de execuções federais, em vigor desde 2003, ecoando a vontade de Donald Trump.

- Novas execuções previstas -Nos Estados Unidos, a maioria dos crimes é julgada em nível estadual, mas a justiça federal pode lidar com os crimes mais graves (ataques terroristas, crimes racistas) ou cometidos em bases militares.

Daniel Lewis Lee, 47 anos, ex-supremacista branco condenado pelos assassinatos em 1996 de três membros de uma família, foi executado por injeção letal nesta terça-feira na mesma prisão.

Outro prisioneiro federal, Dustin Lee Honken, 52, será executado na sexta-feira por cinco assassinatos, incluindo os de duas meninas, com idades entre 10 e 6 anos.

A pena de morte foi restabelecida no nível federal em 1988, mas só foi executada três vezes antes da execução de Lee, a última em 2003.

Mais de 1.000 líderes religiosos nos Estados Unidos pediram a Trump na semana passada que abandonasse os planos de retomar as execuções federais.

Entretanto, o presidente dos Estados Unidos, enfrentando uma dura batalha de reeleição em novembro, manifestou seu desejo de ver a pena de morte aumentar, especialmente para traficantes de drogas e assassinos de policiais.

Apenas algus estados nos Estados Unidos, principalmente no sul conservador, ainda recorre a execuções.

Embora o apoio à pena de morte tenha sido corroído entre os americanos, segundo as pesquisas, ele permanece forte entre os eleitores republicanos. Entre eles, 77% são a favor dessa punição para assassinos.

Em 2019, 22 pessoas foram executadas. Uma das execuções federais mais lembradas é a de Timothy McVeigh, executada com a injeção letal em 2001 pelo ataque a um prédio federal em Oklahoma em 1995 que matou 168 pessoas.

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