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Suspeito de ataque com faca em Paris confessa que agiu contra Charlie Hebdo

26/09/2020 16h08

Paris, 26 Set 2020 (AFP) - Um dia após o ataque com faca em Paris em frente à antiga sede do Charlie Hebdo, o principal suspeito "assumiu seu ato", que vinculou à republicação das caricaturas do profeta Maomé por parte do semanário satírico, indicaram neste sábado (26) fontes próximas à investigação.

Os primeiros elementos da investigação "indicam que o principal suspeito atuou sozinho", informou à AFP uma fonte próxima ao caso.

O homem, que diz chamar-se Assan A. e que nasceu em 2002 no Paquistão, "não tinha sido classificado pela polícia, nem pelos serviços de inteligência" como um suspeito de radicalização, completou.

Detido pela polícia na Praça da Bastilha pouco depois do ataque com uma faca de açougueiro que deixou dois feridos graves, este homem de 18 anos nascido no Paquistão "assumiu seu ato, que está no contexto da republicação das caricaturas, as quais não suportou", segundo uma dessas fontes.

O suspeito pensava que os cidadãos que atacou eram funcionários da revista satírica, acrescentou a mesma fonte.

O ataque de sexta-feira ocorreu em meio ao julgamento pelo sangrento atentado contra Charlie Hebdo em janeiro de 2015, no qual 12 pessoas morreram, incluindo alguns dos caricaturistas mais conhecidos da França.

"É um ato terrorista islamita, um novo ataque sangrento contra nosso país", estimou o ministro do Interior francês Gérald Darmanin em declarações ao canal France 2.

"Um homem chegou e atacou com uma faca de açougueiro os dois funcionários que fumavam em frente ao imóvel" explicou à AFP Paul Moreira, líder da agência de notícias e produtora Premières Lignes, vizinha da antiga sede do Charlie Hebdo.

O homem e a mulher, funcionários da agência, ficaram feridos "na parte superior do corpo" e um deles na cabeça, acrescentou. Os dois estão hospitalizados, mas não correm risco de morte.

A Justiça antiterrorista está encarregada do caso, que reacendeu na França a dolorosa lembrança do ano 2015 marcado, além do Charlie Hebdo, pelos muito mais letais atentados de 13 de novembro em Paris e uma sangrenta tomada de reféns em um supermercado judaico da capital francesa.

A redação da revista, que se mudou para um lugar secreto há quatro anos, foi alvo de novas ameaças após sua decisão de voltar a publicar caricaturas de Maomé em 2 de setembro, com motivo da abertura do julgamento.

- Um novo detido -Segundo o ministro Darmanin, o principal suspeito - que chegou à França há três anos - já havia sido preso em junho pelo porte de uma arma branca - uma "chave de fenda".

O suspeito foi acolhido pelos serviços sociais da infância na região de Paris, em sua chegada na França, e não apresentava "nenhum sinal de radicalização".

A polícia prendeu, neste sábado a mais outras duas pessoas, o irmão do do principal suspeito e outro conhecido, indicou uma fonte judicial, o que elevou o número de detidos por este "ato terrorista" para nove.

Uma fonte judicial afirmou que outra pessoa que permanecia presa, um argelino de 33 anos, foi liberado por não estar vinculado ao ataque.

Cinco dos detidos estavam em um dos supostos domicílios do suposto agressor, em Pantin, um subúrbio de Paris.

Desde a onda de atentados jihadistas sem precedentes iniciada em 2015 na França, que causou 258 mortos, vários outros ataques foram perpetrados com arma branca, principalmente na própria sede da polícia de Paris em outubro de 2019 ou em Romans-sur-Isère, no sul do país, em abril passado.

Catorze pessoas estão sendo julgadas por um tribunal especial de Paris pelo suposto apoio fornecido aos autores materiais do ataque ao Charlie Hebdo, que morreram após o atentado.

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