PUBLICIDADE
Topo

Duelo Trump-Biden à distância na TV em campanha novamente alterada pela covid-19

AFP
Imagem: AFP

De Washington

15/10/2020 23h35

O presidente Donald Trump fez nesta quinta-feira (15), uma ferrenha defesa de sua gestão da pandemia da covid-19 durante um evento televisionado, enquanto seu adversário democrata na corrida pela Casa Branca, Joe Biden, o acusou de fazer "nada" durante um fórum transmitido simultaneamente por outra emissora.

"Estamos chegando ao fim" da pandemia, declarou um otimista Trump, apesar do recente aumento de casos no país, em declarações à emissora NBC. "Fizemos um trabalho fantástico. As vacinas estão chegando e os tratamentos estão chegando".

"Estamos em uma situação em que temos mais de 210.000 mortos, e o que ele faz? Nada", criticou por sua vez Biden à emissora ABC.

A 19 dias das eleições presidenciais, Trump se mostrou irritado e incomodado com as perguntas que lhe fizeram, principalmente sobre o motivo de usar tão pouco a máscara de proteção em público.

"Sou o presidente, tenho que ver pessoas. Não podem me trancar em um quarto magnífico em algum lugar da Casa Branca", ironizou.

Trump se negou a condenar veementemente o movimento conspiratório "QAnon".

"Não sei nada de QAnon", se defendeu, antes de afirmar concordar com as posições "contra a pedofilia" do movimento.

Já Biden, que lidera as pesquisas, respondeu às perguntas dos espectadores em um tom muito mais sereno.

Precisamos "escutar o outro", disse a um eleitor que o questionou sobre a possibilidade de restaurar "a cortesia e a honra" na política americana.

"O que vou fazer, se for eleito presidente, primeiro, e isso não é brincadeira, será chamar os republicanos" para conversar, garantiu o democrata, ao relembrar que, durante os mais de 35 anos como senador, foi conhecido pela capacidade de dialogar com o partido rival.

Flórida e Pensilvânia

A campanha voltou a ser abalada pelo coronavírus. Dois casos de covid-19 na equipe da candidata democrata à vice-presidência, Kamala Harris, a levaram a suspender suas viagens até o domingo "por precaução", embora não esteja em quarentena e vá manter seus compromissos virtualmente.

Biden decidiu, por recomendação médica, não interromper seus deslocamentos, apesar de outro caso descoberto na tripulação de seu avião, mas que permaneceu "a mais de 15 metros" e usava, assim como o candidato, uma máscara.

"Que isto sirva de exemplo sobre a importância de usar máscaras e manter um distanciamento físico seguro", tuitou Biden, que nesta quinta voltou a testar negativo.

Cancelado o debate virtual previsto após a negativa de Trump de participar, os dois candidatos vão aparecer em eventos televisionados ao mesmo tempo, mas em dois canais diferentes, a partir das 20H00 locais (21h de Brasília).

O presidente republicano falará na Flórida pela NBC, enquanto o ex-vice-presidente de Barack Obama o fará da Pensilvânia pela ABC.

Estes dois estados, considerados chave para vencer as eleições de 3 de novembro, deram vitórias a Trump em 2016, mas nos dois Biden aparece na liderança nas pesquisas de intenção de voto.

Horas antes de aparecer em cena, Trump marcou o tom, agressivo e debochado, que pretende adotar.

"Gostaria de poder vê-lo para ver se consegue chegar até o final", disse o presidente de 74 anos, referindo-se ao seu adversário, de 77 anos, cuja vitalidade costuma questionar e a quem apelidou de "Joe, o Sonolento".

"Boa chance" de vencer

As pesquisas são preocupantes para Trump nesta campanha marcada por sobressaltos e quando mais de 17,5 milhões de americanos já votaram antecipadamente.

Os democratas têm "boa chance" de voltar à Casa Branca, admitiu nesta quinta-feira o senador republicano Lindsey Graham, muito próximo a Trump.

Seu colega Ted Cruz, ex-adversário de Trump nas primárias republicanas de 2016, agora um de seus aliados, já tinha admitido na semana passada estar "preocupado" com o que poderia ser um "banho de sangue" de proporções históricas para os republicanos, que além do controle da Casa Branca, querem manter a maioria no Senado.

Biden lidera por quase dez pontos percentuais em média as pesquisas nacionais. E supera Trump por cinco pontos nos "campos de batalha", os estados que, por seu peso eleitoral, podem definir a disputa.

Trump, recuperado da covid-19, do qual disse ser "imune", intensificou sua campanha, cercando-se a cada noite de simpatizantes com bonés vermelhos em estados-chave. Na Flórida, na Pensilvânia e em Iowa, emendou três comícios em três dias e celebrou um quarto nesta quinta na Carolina do Norte.

Os eventos desta quinta-feira na NBC e na ABC foram no formato "town hall" (debate aberto), uma tradição americana, que implica em que o candidato é entrevistado ao vivo na televisão por um painel de eleitores, sob a supervisão de um moderador.

Quem gerou a maior audiência?

Para David Canon, professor de ciência política na Universidade do Wisconsin, não há dúvidas: o "town hall" do intempestivo presidente atrairá mais telespectadores.

"As pessoas adoram o drama", disse à AFP.

elc-jca/iba/ad/rsr/mvv/am