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Apoiadores de Trump se reúnem em Washington antes da certificação da vitória de Biden

05/01/2021 18h53

Washington, 5 Jan 2021 (AFP) - Centenas de apoiadores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começaram a se reunir em Washington nesta terça-feira (5), um dia antes de um protesto convocado pelo presidente, que se recusa a admitir a derrota nas eleições de novembro.

Vindos de todos os cantos dos EUA, os manifestantes disseram estar respondendo ao apelo de Trump para se concentrarem na capital na quarta-feira, quando o Congresso deve certificar a vitória eleitoral de Joe Biden.

"Meu comandante-chefe me chamou e meu senhor e salvador me falou" para vir, disse Debbie Lusk, de 66 anos, uma contadora aposentada de Seattle. "Ou recuperamos nosso país ou ele não existe mais", declarou à AFP.

Trump publicou no Twitter no mês passado que seus apoiadores deveriam se reunir em Washington DC para o que ele prometeu que seria um dia "selvagem" de protestos.

Grande parte do centro da capital foi vedado com tapumes, com lojas e negócios fechados devido à pandemia e em meio a temores de uma repetição da violência que abalou a cidade durante as marchas por justiça racial no ano passado.

Trump se negou a aceitar que perdeu a eleição de 3 de novembro, fazendo repetidas e infundadas alegações de fraude ou manipulação eleitoral nos estados onde foi derrotado por Biden por margens mais estreitas. Vários tribunais rejeitaram as contestações legais de sua equipe.

Mais da metade dos eleitores republicanos acredita que Trump venceu ou não tem certeza de quem venceu, de acordo com uma pesquisa realizada em dezembro por especialistas das principais universidades americanas, incluindo Harvard.

Essa confusão era ecoada nesta terça por muitos dos apoiadores reunidos sob um céu cinzento em uma praça fria próxima à Casa Branca.

"Não confiamos no resultado da eleição", afirmou Chris Thomas, uma vendedora aposentada de 69 anos que usava um boné de Trump.

Thomas disse à AFP que ela e seu marido viajaram de Oregon porque acreditam "na liberdade da América" e para mostrar seu apoio às políticas econômicas de Trump que ajudaram a empresa de vinho de seu filho a prosperar.

- Poucas máscaras -Pelo menos 300 simpatizantes do magnata republicano haviam se reunido até o meio-dia e quase todos eles estavam desobedecendo à obrigatoriedade de uso de máscara imposta pela prefeitura de Washington.

Vários deles disseram que a mídia havia exagerado a gravidade da pandemia de covid-19, que já matou mais de 355.000 pessoas nos Estados Unidos.

O vice-presidente Mike Pence presidirá a sessão conjunta do Congresso na quarta-feira, na qual os legisladores contarão e confirmarão estado a estado os votos do Colégio Eleitoral, que decidem quem ganhou a Casa Branca.

Essa certificação geralmente é uma formalidade, mas Trump tem pressionado Pence, seu fiel escudeiro, para anular a vitória de Biden, argumentando falsamente que o vice-presidente tem autoridade para descartar votos a favor do democrata.

"Realmente nos surpreenderia se Pence não apoiasse Trump", indicou Thomas, a vendedora aposentada.

Muitos manifestantes estão esperando uma surpresa de última hora que manteria Trump no poder após 20 de janeiro, para quando está marcada a posse de Biden.

"Trump ganhou por muito. Há evidências mais do que suficientes", disse Matthew Woods, de 59 anos, da Califórnia.

Anthony Lima, também da Califórnia, contou que viajou para Washington porque queria ver com seus próprios olhos o que estava acontecendo.

"Muitas agências de notícias não nos dizem a verdade", afirmou ele. "Estou aberto a acreditar que Joe Biden e Kamala Harris venceram a eleição, só quero uma investigação."

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