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Bidez diz que evidência em julgamento de Trump pode pesar entre republicanos

Joe Biden, presidente dos Estados Unidos - Stefani Reynolds-Pool/Getty Images
Joe Biden, presidente dos Estados Unidos Imagem: Stefani Reynolds-Pool/Getty Images

11/02/2021 15h39

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse nesta quinta-feira (11) que a impactante evidência do ataque ao Capitólio apresentada no julgamento político contra seu antecessor, Donald Trump, pode pesar na opinião de alguns republicanos leais ao ex-presidente.

Biden sugeriu que os vídeos exibidos podem convencer alguns senadores a condenar o ex-presidente: "Acredito que alguns podem ter mudado de opinião", disse no Salão Oval.

Até agora, uma grande maioria dos republicanos apoiou Trump, que é acusado de "incitação à insurreição" em 6 de janeiro, quando uma multidão de seus apoiadores invadiu a sede do Congresso para tentar interromper a certificação da vitória eleitoral de Biden.

Por conta disso, uma condenação a Trump - que exige uma maioria de dois terços no Senado - é pouco provável. Os advogados de Trump terão a oportunidade de falar nesta quinta ou sexta-feira, quando os congressistas democratas que atuam como promotores concluírem seu caso.

A defesa de Trump alega que não se pode culpar pessoalmente o ex-presidente pelo ataque e que o julgamento é inconstitucional porque o acusado já deixou o cargo.

Mas os legisladores democratas que atuam como promotores entregaram provas contundentes na quarta-feira, exibindo horas de imagens de câmeras de segurança, câmeras corporais da polícia, noticiários e vídeos de celulares gravados pelos próprios manifestantes.

Biden, que manteve silêncio sobre os argumentos do julgamento, na tentativa de não ofuscar sua busca para aprovar um pacote de estímulo econômico e seu combate à pandemia de covid-19, disse não ter acompanhado "nenhuma das audiências ao vivo".

Mas assistiu a cobertura informativa da apresentação do caso, na qual viu os principais políticos fugindo para um lugar seguro enquanto uma multidão furiosa influenciada pela retórica de Trump destruía os corredores do Congresso.

O caos deixou cinco mortos, incluindo uma mulher baleada após invadir o Capitólio e um policial que morreu pelas mãos da multidão.

Correndo por suas vidas

O ataque de 6 de janeiro começou depois que Trump realizou um comício para repetir suas acusações infundadas de que Biden roubou a eleição manipulando os votos, e de que o então vice-presidente, Mike Pence, tinha que fazer alguma coisa para impedir a confirmação do resultado.

Pence, que já havia declarado que não tinha autoridade legal para deter a certificação, se tornou o alvo da ira da multidão.

O vídeo exibido na quarta-feira pelos democratas mostrava os manifestantes gritando insultos e declarando Pence um traidor. Algumas das cenas mais dramáticas, com imagens nunca antes transmitidas em público, deixaram claro aos senadores, que atuam como júri no julgamento, que suas próprias vidas estavam em perigo naquele dia.

As imagens mostravam Pence sendo removido apressadamente por agentes de segurança pelas escadarias atrás do edifício e o líder dos democratas no Senado, Chuck Schumer, esquivando por pouco de uma multidão desenfreada de manifestantes pró-Trump, enquanto o senador republicano Mitt Romney, muito crítico de Trump e alvo de seu ódio, era protegido pelo agente Eugene Goodman, homenageado por enfrentar os manifestantes.

Os vídeos também exibiram a multidão invadindo os escritórios de Nancy Pelosi, a presidente da Câmara dos Representantes e líder democrata, também um alvo frequente da retórica incendiária de Trump.

"Nancy, onde Nancy está?", gritavam os manifestantes enquanto procuravam por ela, sem saber que oito de seus funcionários estavam escondidos atrás de uma porta no mesmo corredor. Pelosi já havia sido retirada de lá às pressas.

"Sabemos pelos mesmos manifestantes que, se tivessem encontrado Pelosi, a teriam matado", afirmou Stacey Plaskett, uma das promotoras democratas e delegada na Câmara de Representantes pelas Ilhas Virgens americanas.

Republicanos leais até agora

Trancado em seu luxuoso clube Mar-a-Lago na Flórida, Trump não comparecerá para se pronunciar e continua mantendo o silêncio.

Mas o julgamento político colocou mais uma vez o ex-presidente no centro do debate nacional, e destacou seu controle sobre a base do eleitorado republicano.

Alguns senadores republicanos expressaram sua indignação pelo ataque trumpista e criticaram abertamente a relutância de Trump em aceitar a derrota para Biden. Também reconheceram o convincente caso apresentado pelos democratas.

"A evidência que foi apresentada até agora é bastante condenatória", disse a senadora republicana Lisa Murkowski.

"Obviamente são poderosas", concordou o senador Bill Cassidy sobre as imagens assustadoras, mas "está para ser visto como isso vai influenciar nas decisões finais", apontou.

Ainda assim, é pouco provável que Trump seja condenado, já que 17 senadores republicanos teriam que estar de acordo com os 50 democratas.

"Acredito que no final não haverá 67 votos para declarar o presidente culpado", admitiu nesta quinta-feira o estrategista republicano Karl Rove à Fox News.

No entanto, ele antecipou que "qualquer republicano que se apresentar às eleições de 2022 em um distrito ou estado difícil provavelmente terá este vídeo usado contra si".

Segundo a imprensa, Trump estava furioso na terça-feira, dia da abertura do julgamento, considerando o desempenho de seus próprios advogados como medíocre.

Diferente do primeiro julgamento político de Trump há um ano, que durou três semanas, este deve terminar em alguns dias.

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