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15 dias

EUA afirma que já não restam imigrantes sob ponte na fronteira

24/09/2021 20h31

Washington, 24 Set 2021 (AFP) - O governo dos Estados Unidos afirmou nesta sexta-feira (24) que já não restam imigrantes acampados sob uma ponte na fronteira com o México, tema que gerou uma avalanche de críticas à gestão do presidente Joe Biden.

"Desde a manhã de hoje, já não há imigrantes no acampamento sob a ponte internacional Del Rio", afirmou o secretário de Segurança Interna, Alejandro Mayorkas. Ele assinalou que, há menos de uma semana, havia cerca de 15 mil imigrantes sem documentos em Del Rio, no Texas, a maioria haitianos.

Segundo Mayorkas, cerca de 8 mil retornaram voluntariamente ao México, enquanto mais de 5 mil foram levados para centros americanos ao longo da fronteira, e cerca de 2 mil foram deportados para o Haiti em 17 voos. Os mais vulneráveis, incluindo aqueles com problemas de saúde ou que dizem terem sido vítima de tortura, estão dando entrada no sistema de imigração e terão seu destino decidido por um tribunal.

O secretário do governo Biden veio a público depois do escândalo causado por fotos que mostram guardas fronteiriços, montados a cavalo, atuando de forma agressiva para impedir a entrada dos migrantes haitianos que atravessavam a fronteira do México rumo aos Estados Unidos.

Mayorkas reconheceu o "horror" que muitos, inclusive o presidente Biden, sentiram ao ver essas imagens, mas ressaltou que uma investigação determinará exatamente o que aconteceu. "Os agentes envolvidos nesses incidentes foram transferidos para funções administrativas e não estão interagindo com os migrantes enquanto a investigação segue em curso", explicou.

Segundo dados oficiais, desde o último dia 9 os guardas de fronteira interceptaram cerca de 30.000 pessoas sem documentos na pequena cidade de Del Río, onde viviam em condições insalubres depois de cruzarem o Rio Grande a partir da cidade mexicana de Ciudad Acuña. Esse fluxo em massa de imigrantes e o tratamento sofrido por alguns por parte da polícia montada geraram duros questionamentos ao governo Biden.

Em um registro feito no domingo (19) por um fotógrafo da AFP, um agente fronteiriço montado a cavalo agarra um homem pela camisa na margem americana do Rio Grande. Em outra fotografia, um guarda montado mantém um grupo afastado utilizando longas rédeas de couro, em uma postura ameaçadora, como se parecesse um chicote, para forçá-lo a retroceder.

As imagens correram o mundo e causaram polêmica nos Estados Unidos. Alguns apontaram que os guardas pareciam tratar os imigrantes como gado, enquanto outros lembraram os maus-tratos sofridos pelos afro-americanos pelas mãos da polícia montada, dos guardas de prisões e dos proprietários de negros escravizados.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu nesta sexta-feira que haverá consequências para os guardas montados flagrados reprimindo migrantes haitianos, algo que considerou "escandaloso", em meio às fortes críticas que sua gestão vem recebendo pela condução da crise na fronteira sul.

- Consequências -

Biden falou sobre o assunto na Casa Branca, após vários dias de silêncio sobre o tema. "Prometo que essa gente pagará, haverá uma investigação e teremos consequências", garantiu, após um pronunciamento dedicado à vacinação contra a Covid-19.

Alejandro Mayorkas destacou "o horror" que muitos, incluindo Biden, sentiram ao ver as imagens, mas enfatizou que foi aberta uma investigação e suspensa temporariamente a patrulha montada na fronteira. "Os agentes envolvidos nesses incidentes foram transferidos para funções administrativas e não estão interagindo com os imigrantes durante a investigação."

Ao ser questionado hoje por uma jornalista se assumia a responsabilidade pelo "caos" na fronteira, Biden respondeu: "Certamente que assumo a responsabilidade. Sou o presidente. Foi horrível [...] ver as pessoas sendo tratadas daquela maneira".

"É uma vergonha", disse Biden. "É mais do que vergonhoso. É perigoso. Ruim. Envia a mensagem errada para todo o mundo, e a mensagem equivocada dentro de casa [...] Nós não somos assim", frisou.

O democrata assumiu o cargo em janeiro, com a promessa de reverter o que chamou de políticas desumanas de seu antecessor Donald Trump na fronteira sul. Mas a ala esquerda do partido de Biden deplora a expulsão dos haitianos no momento em que o país caribenho está mergulhado em uma crise política, de segurança e humanitária.

Alejandro Mayorkas disse que essas expulsões, realizadas no âmbito da luta contra a pandemia, "são ditadas por imperativos de saúde pública". O governo não se comportou de maneira "imoral", afirmou, enfatizando que o direito de asilo é regido por regras estritas.

A direita americana, por sua vez, acusa o governo Biden de provocar uma crise migratória na fronteira e de não apoiar a polícia. "Em vez de responder à crise fronteiriça que criou e encorajou ativamente, o presidente Biden une-se cegamente à esquerda radical para fazer julgamentos apressados e atacar mulheres e homens que têm a tarefa de proteger nossas fronteiras", declarou o líder republicano Kevin McCarthy na Câmara dos Representantes.

A tensão em torno desses temas aumentou ontem ainda mais, com a renúncia do enviado dos EUA ao Haiti, Daniel Foote, que chamou as expulsões de "desumanas".

Considerado o país mais pobre das Américas, o Haiti vive uma situação de instabilidade política e econômica que perdura por muitos anos, mas a situação piorou após um recente terremoto e o assassinato do presidente do país, Jovenel Moise, em 7 de julho.

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