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1 mês

Indígenas bloqueiam estradas em segundo dia de protestos no Equador

27/10/2021 23h44

Otón, Equador, 28 Out 2021 (AFP) - Indígenas e camponeses bloquearam estradas de forma intermitente em oito das 24 províncias do Equador nesta quarta-feira (27), segundo dia de protestos contra a política econômica do governo, em meio ao estado de exceção.

A poderosa Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie) incentiva as manifestações, motivadas pelo aumento de 90% nos preços dos combustíveis desde 2020.

O presidente Guillermo Lasso, ex-banqueiro que assumiu o cargo em maio, convocou os líderes indígenas a retomar o diálogo na sede do Executivo em 10 de novembro, anunciou seu porta-voz, Carlos Jijón, no Twitter. "Faço um apelo ao diálogo, aos consensos e a pensar no bem do país", havia declarado mais cedo, durante um ato militar em Quito, onde não houve protestos hoje.

Após dois dias de manifestações, a ministra do Interior, Alexandra Vela, disse que o número de polícias feridos aumentou de cinco para oito. Ela informou que os dois soldados capturados ontem por manifestantes foram libertados com a intervenção da Cruz Vermelha, e prometeu uma investigação sobre o caso.

Um jornalista e líder indígena morreu acidentalmente nesta quarta-feira quando cobria os protestos na provícia andina de Cotopaxi, informou a ONG Fundamedios, que registrou oito agressões contra jornalistas durante as manifestações.

Com pedras, terra, troncos e pneus em chamas, a Conaie bloqueou vários pontos da rodovia Pan-Americana Norte, que leva à Colômbia. Militares e policiais patrulharam as estradas, retirando os escombros e restabelecendo a passagem de veículos, mas em alguns pontos os manifestantes voltaram a bloqueá-las.

- Violência -Além de Cotopaxi, o Serviço Integrado de Segurança ECU911 também relatou bloqueios de estradas nas províncias de Pichincha, Imbabura (norte de Quito), Tungurahua, Bolívar, Chimborazo, Pastaza e Morona Santiago.

Em Cotopaxi, houve "uma forte repressão", segundo a Conaie, cujo presidente, Leonidas Iza, pediu às autoridades que "deixem de instaurar a violência, que irá deixar o povo indignado".

Além dos bloqueios, nesta terça-feira houve uma manifestação de indígenas, trabalhadores, professores e estudantes em Quito, na qual foram registrados confrontos com a polícia perto da sede do Executivo.

"Ontem, as Forças Armadas e a Polícia garantiram o controle e a ordem, respeitando aquelas manifestações sem violência. Hoje, vão fazer o mesmo e se amanhã o desafio persistir, iremos manter o controle", expressou Guillermo Lasso.

Os protestos acontecem em meio ao estado de exceção por 60 dias decretado por Lasso em 18 de outubro para combater a criminalidade ligada ao narcotráfico, com um aumento de homicídios e massacres carcerários que deixaram mais de 2.000 mortos no país este ano.

- 'De mal a pior' -O ex-presidente Lenín Moreno (2007-2021) eliminou em 2019 subsídios milionários aos combustíveis, uma medida vinculada a acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para receber empréstimos.

A Conaie liderou, então, protestos violentos contra essa medida, que deixaram 11 mortos e obrigaram Moreno a revogá-la. Em maio de 2020, ele estabeleceu reajustes mensais dos preços de acordo com a cotação do petróleo, que está em alta.

Lasso - que assumiu em maio de 2021 - manteve esse mecanismo até que, no último fim de semana, decretou aumentos de até 12% nos combustíveis, aumentando o diesel de US$ 1,69 para US$ 1,90 dólar e a gasolina comum de US$ 2,50 para US$ 2,55. A Conaie exige o congelamento a US$ 1,50 do galão de diesel e a US$ 2,10 o da gasolina.

"Vamos continuar, não vamos parar porque todo o povo está se mobilizando (...) Todos estamos unidos porque vamos de mal a pior", disse Patricio Guamán, um artesão de 46 anos, que protestou no bairro San Francisco de Oyacoto, enquanto seus vizinhos acendiam fogueiras com árvores cortadas.

O presidente Lasso declarou que "é o momento de estarmos unidos", enquanto o país registra 47% de pobreza e miséria, 28% de subemprego e desemprego, uma dívida externa de quase 46 bilhões de dólares (45% do PIB) e um déficit fiscal de 5% do PIB.

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