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Países muçulmanos prometem desbloquear ajuda humanitária ao Afeganistão

27.ago.2021 - Vídeo mostra multidão de refugiados que tentam deixar Afeganistão - Reprodução / Instagram
27.ago.2021 - Vídeo mostra multidão de refugiados que tentam deixar Afeganistão Imagem: Reprodução / Instagram

19/12/2021 15h34

Os países da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI) se comprometeram, neste domingo (19), a colaborar com as Nações Unidas para liberar centenas de milhões de dólares de ativos afegãos e criar um fundo de doações para aliviar a crescente crise humanitária que castiga o Afeganistão.

Em uma reunião em Islamabad, Paquistão, a organização de 57 países decidiu "iniciar discussões com as Nações Unidas" para "desbloquear os canais bancários e retomar o fluxo de caixa e a ajuda humanitária".

Esta é a primeira grande reunião sobre o Afeganistão desde a queda do antigo regime em meados de agosto e a chegada do Talibã ao poder.

Desde então, bilhões de dólares em assistência e recursos foram congelados pela comunidade internacional. Os Estados Unidos, por exemplo, congelaram US $ 9,5 bilhões em ativos do Banco Central Afegão.

A ONU advertiu que o Afeganistão está à beira da pior emergência humanitária do mundo, com falta de alimentos, combustível e dinheiro. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) alertou para a chegada de uma "avalanche de fome".

Em resolução publicada após a reunião, a OCI também solicitou que a comunidade internacional "contribua" para um "fundo humanitário" administrado pelo Banco islâmico de desenvolvimento, que estará operacional "até o primeiro trimestre de 2022".

"Muitos (países) querem doar, mas não diretamente" ao regime talibã, explicou o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Shah Mahmood Qureshi.

Além disso, a resolução "apela às autoridades afegãs para que continuem trabalhando para uma maior inclusão" e para desenvolver "um plano para aumentar a participação de todos os afegãos, incluindo mulheres e meninas, em todos os aspectos da sociedade."

A OCI "urge" o Afeganistão a "respeitar (...) as obrigações dos tratados de direitos humanos".

"Graves consequências"

Durante o discurso de abertura da reunião, o ministro das Relações Exteriores do Paquistão advertiu que, se a economia do Afeganistão continuar afundando, haverá "graves consequências" para a comunidade internacional.

"Não podemos ignorar o perigo de um colapso econômico completo", Qureshi alertou os representantes dos países membros da OCI, incluindo seu homólogo talibã, Amir Khan Muttaqi, e delegados dos Estados Unidos, China, Rússia, União Europeia e ONU.

O primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, afirmou que o talibã deve ser distinguido dos 40 milhões de cidadãos afegãos, em uma frase que dirigiu "especificamente aos Estados Unidos".

Pediu também que o reconhecimento das autoridades talibãs não seja baseado nos ideais ocidentais de direitos humanos. "A ideia que cada sociedade tem dos direitos humanos é diferente".

A OCI, entretanto, decidiu enviar uma "delegação de teólogos islâmicos internacionais" para "iniciar um diálogo" com o Afeganistão sobre, entre outras coisas, "tolerância e moderação no Islã, igualdade de acesso à educação e direitos da mulher".

Nenhum país reconheceu formalmente o governo talibã, e diplomatas enfrentam a delicada tarefa de canalizar ajuda para o Afeganistão sem fortalecer os radicais islâmicos.

Na foto oficial do encontro, o ministro das Relações Exteriores do Talibã, Amir Khan Muttaqi, não foi incluído.

Muttaqi continuou exigindo "o direito" de seu governo "de ser oficialmente reconhecido".