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Presidente ucraniano pressiona o G7 a subir o tom contra Moscou

27/06/2022 09h21

Castelo de Elmau, Alemanha, 27 Jun 2022 (AFP) - Convidado para a cúpula do G7 nesta segunda-feira (27) na Alemanha, o presidente ucraniano fez um apelo para que os líderes do grupo intensifiquem os esforços para acabar rapidamente com a guerra que devasta seu país e endurecer ainda mais as sanções contra Moscou.

Os líderes dos sete países mais ricos do mundo, que exibem sua unidade diante de Moscou desde o início da reunião no domingo nos Alpes da Baviera, responderam a ele com um claro apoio: o G7 continuará apoiando a Ucrânia "o tempo que for necessário", de acordo com sua declaração conjunta.

Ao mesmo tempo, os chefes de Estado e de Governo continuarão "aumentando a pressão sobre Putin", prometeu o chanceler alemão, Olaf Scholz, anfitrião da cúpula que acontece no Castelo de Elmau, no sul da Alemanha, principalmente por meio de uma nova rodada de sanções contra a economia russa.

Volodymyr Zelensky "trouxe uma mensagem muito forte dizendo que tínhamos que fazer o máximo para tentar acabar com esta guerra antes do final do ano", sublinharam fontes dentro do G7 ao final da intervenção por videoconferência do líder ucraniano.

- Sem negociação -Ele descartou, porém, qualquer negociação com os russos, alertando, segundo a presidência francesa, que "agora não é o momento para negociações".

Para demonstrar seu apoio, os países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, querem apertar o cerco a Moscou, visando a indústria de defesa russa, de acordo com uma fonte da Casa Branca.

Também pretendem desenvolver um "mecanismo para limitar o preço do petróleo russo em nível global", segundo a mesma fonte.

O G7 também "coordenará o uso de taxas de importação sobre produtos russos, com o objetivo de ajudar a Ucrânia", acrescentou.

No primeiro dia da reunião, no domingo, alguns dos sete países (Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Reino Unido) já haviam anunciado um embargo ao ouro recém-extraído na Rússia.

Apesar das pesadas sanções que atingem a economia russa desde o início da ofensiva contra a Ucrânia em 24 de fevereiro, o Kremlin garantiu nesta segunda-feira que não há "razão" para se falar de um calote no pagamento das dívidas da Rússia, como alegado por alguns meios de comunicação.

As autoridades russas, no entanto, anunciaram que, por causa das sanções, duas parcelas não chegaram aos credores até o prazo de domingo.

- Sistema de mísseis -Enquanto Kiev continua a exigir mais entregas de armas, os Estados Unidos agora consideram fornecer um sofisticado sistema de mísseis terra-ar de "médio e longo alcance".

No terreno, os bombardeios russos na grande cidade de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, e sua região deixaram dois mortos e cinco feridos nesta segunda-feira, segundo o governador regional, Oleg Sinegubov, no Telegram.

No domingo, pela primeira vez em semanas, Kiev foi atingida por mísseis russos enquanto os combates ferozes continuavam no leste do país, neste conflito mortal que entrou em seu quinto mês.

Para Olaf Scholz, os bombardeios são como um lembrete "de que é justo se unir e apoiar a Ucrânia".

O presidente russo, Vladimir Putin, esperava que, "de uma forma ou de outra, a Otan e o G7 se dividissem. Mas não o fizemos e não o faremos", assegurou o presidente americano, Joe Biden.

Seja durante as reuniões ou sessões de fotos em grupo, os ocidentais têm cuidado de mostrar sua unidade durante esta cúpula amplamente dedicada à guerra na Ucrânia e suas repercussões.

Entre as mais urgentes, a crise alimentar que ameaça parte do planeta enquanto milhares de toneladas de cereais estão em silos ucranianos devido ao bloqueio ou ocupação dos portos do Mar Negro pelos russos.

Os ocidentais exigiram que a Rússia permitisse "a livre passagem de produtos agrícolas dos portos ucranianos do Mar Negro".

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, também deve pedir uma "ação urgente" para relançar as exportações vitais de grãos da Ucrânia, já que os países mais pobres estão à beira do precipício, informou Downing Street.

Esta grave ameaça que paira sobre vários países emergentes também ocupa o centro das discussões nesta segunda-feira entre os líderes do G7 e os dirigentes dos cinco países convidados este ano para a Baviera (Índia, Argentina, Senegal, Indonésia e África do Sul).

Índia, Senegal e África do Sul se abstiveram na votação de uma resolução da ONU condenando a invasão da Ucrânia pela Rússia.

O chefe de Estado indonésio e presidente do G20, Joko Widodo, também deve viajar para a Ucrânia e a Rússia em breve para discutir as consequências econômicas e humanitárias da invasão russa.

As economias emergentes estão particularmente expostas ao risco de escassez de alimentos e à crise climática, outra emergência que os sete líderes devem discutir com seus convidados.

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