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1 mês

Justiça francesa inicia leitura de veredicto em julgamento dos atentados de 2015 em Paris

29/06/2022 15h51

Paris, 29 Jun 2022 (AFP) - Seis anos depois de uma noite de horror que deixou 130 mortos, a justiça francesa começou nesta quarta-feira (29) a revelar o destino dos acusados do pior ataque em Paris desde a Segunda Guerra Mundial.

A leitura do veredicto começou por volta das 20h15 locais (15h15 de Brasília) no Palácio de Justiça de Paris, lotado de sobreviventes e familiares das vítimas dos atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris e Saint-Denis, bem como de jornalistas.

Após quase dez meses de processo, a segunda-feira, último dia de audiências, foi marcada pelas alegações dos acusados, entre eles Sallah Abdeslam, único integrante vivo dos comandos que executaram os atentados naquela noite.

"Não sou um assassino e se for condenado por assassinatos, vocês cometeriam uma injustiça", declarou o francês de 32 anos, que voltou a pedir desculpas aos sobreviventes e parentes das vítimas.

Adeslam enfrenta o risco de ser condenado à maior pena prevista no Código Penal da França, a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, sentença solicitada pela promotoria. Os advogados de defesa criticam o que chamaram de uma "pena de morte social" e asseguram que seu cliente se recusou a detonar os explosivos que levava junto ao corpo na noite dos ataques.

"A opinião pública pensa que eu estava nos bares, atirando contra as pessoas, que estava no Bataclan. Vocês sabem que a verdade está no sentido contrário", afirmou Absdelam ao tribunal, antes do início das deliberações.

Para a Procuradoria Nacional Antiterrorista (PNAT), o principal réu, preso na Bélgica em 18 de março de 2016, quatro dias antes dos atentados contra o metrô e o aeroporto de Bruxelas (32 mortos), tentou ativar seu cinturão de explosivos.

"Ele tem as mãos manchadas com o sangue de todas as vítimas", afirmaram os representantes do Ministério Público.

- "Haverá um depois" -A maioria dos outros 13 acusados presentes - seis são julgados à revelia - reiteraram "arrependimentos" ou pedidos de "desculpas". Alguns expressaram "condolências" às vítimas. Muitos afirmaram "confiar na justiça".

"Vou virar uma enorme página e, depois disso, a vida começará de novo. Isso é certo. Haverá um depois", disse ao jornal Libération Aurélie Silvestre, que perdeu o companheiro no Bataclan e a quem o julgamento lhe permitiu "digerir o drama".

A defesa alertou contra uma "justiça de exceção" neste ataque, que deu a volta ao mundo e deixou um rastro de sangue no Stade de France, em Saint-Denis, nos terraços de bares da capital e na casa de shows Bataclan, também em Paris.

"O objetivo de um processo é entender para julgar melhor e delimitar a responsabilidade de cada um e evitar que [este tipo de atentados] se repita", declarou nesta quarta-feira Olivia Renan, uma das advogadas de Abdeslam.

Ela disse esperar que "os magistrados consigam entender o que aconteceu e aplicar a lei da melhor maneira possível para tomar as decisões mais justas".

Os atentados aconteceram em um contexto de ataques na Europa, enquanto uma coalizão internacional lutava contra o grupo Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque. Milhares de sírios chegavam por sua vez ao continente europeu para fugir da guerra em seu país.

As penas solicitadas contra os 20 acusados vão de cinco anos de prisão até a prisão perpétua sem liberdade condicional para Abdeslam e dois ex-dirigentes do grupo Estado Islâmico, que foram considerados mortos na região da Síria e Iraque.

A prisão perpétua "real" é aplicada em pouquíssimos casos na França. Só foi decretada em quatro ocasiões desde que foi instaurada em 1994, para condenados por matar crianças, após estuprá-las e torturá-las.

mdh-asl-aje-tjc/zm/fp/mvv