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Aplicativo 3D permite conhecer bairro magreb desaparecido em Jerusalém

15/06/2023 12h37

Mais de 55 anos depois que Israel o destruiu, o bairro magreb da Cidade Velha de Jerusalém reaparece em 3D graças a um aplicativo para celular lançado nesta quinta-feira (15), que revela uma história em grande parte desconhecida, segundo seus desenvolvedores. 

Aos pés do Muro das Lamentações, um milhão de pessoas viviam no bairro magreb até a guerra árabe-israelense de junho de 1967 e a conquista de Jerusalém Oriental por Israel. Após a tomada, os israelenses anexaram essa região da cidade, movimento que a ONU considera "ilegal". 

Em apenas algumas horas, os habitantes foram desalojados e as gruas israelenses destruíram o bairro fundado por Saladino em 1187 para os peregrinos muçulmanos do Norte da África. Atualmente, ali se concentram milhares de visitantes em uma ampla esplanada, em frente ao local de oração mais sagrado para os judeus. 

"Acredito que 99% dos visitantes que estão diante do muro ocidental (das Lamentações) não conhece nada dessa história", declarou à AFP o historiador francês Vicent Lemire. 

Associado a uma agência italiana de modelagem e à Universidade de Modena e de Reggio Emilia (Itália), Lemire inventou um aplicativo de celular que permite passear por todas as vielas. 

Com esse aplicativo, os usuários podem "viver uma experiência imersiva pelas ruas, mesquitas, escolas e calçadas do bairro magreb", explicaram os criadores, que se basearam em documentos de arquivo, mapas antigos, fotografias e depoimentos de pessoas que costumavam viver no bairro. 

A tecnologia 3D permite chegar a um público mais amplo que as teses acadêmicas, afirmou Lemire. 

"A história desse bairro é inacessível, temos que torná-la mais acessível", declarou o diretor do Centro de Pesquisa Francesa de Jerusalém (CRFJ). "As pessoas não conseguem perceber que diante desse muro herodiano da época bíblica havia um bairro fundado por Saladino que existiu até 1967". 

A recriação digital do bairro magreb faz parte de um projeto mais amplo, o "Open Jerusalem", no qual participam cerca de 60 pesquisadores que recolheram e publicaram online esta semana cerca de 40.000 arquivos em 12 línguas sobre a história da Cidade Sagrada. 

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© Agence France-Presse