Tesouro dos EUA anuncia no México sanções contra rede de tráfico de fentanil

Os Estados Unidos impuseram sanções contra 15 mexicanos e duas empresas acusadas de integrar uma rede dedicada ao tráfico de fentanil para o país, anunciou, nesta quarta-feira (6), a secretária do Tesouro Janet Yellen, enquanto Washington busca intensificar sua luta contra esta substância mortal.

"Hoje, mais pessoas entre 18 e 49 anos morrem por [consumo de] fentanil nos Estados Unidos do que por qualquer outra causa", afirmou Yellen, ao prestar contas das sanções durante um evento na Cidade do México.

As sanções do Tesouro visam 15 cidadãos mexicanos e duas empresas relacionadas ao cartel do narcotráfico de Beltrán Leyva e buscam conter o contrabando de fentanil, um poderoso opioide sintético.

Entre os sancionados estão Óscar Manuel Gastelum Iribe, codinome "El músico", e Pedro Inzunza Noriega, apontados como os líderes atuais dos Beltrán Levya.

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, destacou, por sua vez, a determinação de Washington em continuar "desmantelando" as máfias transnacionais que desestabilizam os Estados Unidos e de "cortar os vínculos das entidades criminosas com o sistema financeiro internacional", segundo nota divulgada por seu gabinete.

Este cartel está "muito envolvido no transporte e na distribuição" de drogas como cocaína e fentanil nos Estados Unidos, apontou o Tesouro.

As sanções financeiras ocorrem simultaneamente com a decisão da Justiça americana de acusar 60 estrangeiros, incluindo 12 dos sancionados pelo Tesouro, por tráfico internacional de entorpecentes, segundo o comunicado.

Os Beltrán Leyva, uma organização que parecia em decadência há mais de uma década pela morte ou captura de seus líderes, ressurgiu nos últimos anos na epidemia de opioides nos Estados Unidos, concentrando-se no lucrativo mercado de fentanil, segundo relatórios de Washington.

As consequências do tráfico deste opioide são devastadoras no território americano, onde a substância é responsável por cerca de dois terços das 110 mil mortes por overdose registradas entre março de 2022 e março de 2023, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).

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- 'Ameaça' -

Yellen ficará até a quinta-feira no México, onde se reunirá com o presidente Andrés Manuel López Obrador, o secretário da Fazenda Rogelio Ramírez, e a governadora do Banco do México (Central) Victoria Rodríguez Ceja.

A visita de Yellen ocorre depois que o presidente americano Joe Biden e seu colega mexicano se comprometeram no mês passado a trabalhar juntos para enfrentar a crise do fentanil que afeta os Estados Unidos.

A China também atua contra os fornecedores ilícitos de produtos químicos usados na produção destas drogas, após as conversas recentes entre Biden e o presidente chinês Xi Jinping.

Yellen assegurou que a maioria dos precursores químicos usados provêm da China e são processados no México antes de o fentanil ser traficado para os Estados Unidos.

Ela destacou que o tráfico ilegal desta droga é "uma ameaça significativa à nossa segurança nacional" e uma ameaça à segurança pública no México.

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- Oportunidade para 'friendshoring' -

Yellen se reuniu em seguida com empresários mexicanos, diante dos quais destacou a importância do chamado "friendshoring", que consiste no traslado das cadeias de abastecimento para países "parceiros e aliados de confiança", explicou.

"O México está especialmente bem posicionado para capitalizar as oportunidades que o 'friendshoring' oferece em nossa região", afirmou a secretária a jornalistas, destacando a "estabilidade macroeconômica robusta" do país.

Ela advertiu, no entanto, que os governos devem criar "um entorno sólido de investimento e operação para o setor privado", que inclua desenvolvimento de infraestrutura adequada, força de trabalho capacitada, "estabilidade regulatória e Estado de direito".

A relocalização de investimentos é chave para Washington, que está em busca de maior estabilidade para fazer negócios em meio às tensões econômicas e geopolíticas com a China.

Mais tarde, Yellen se reunirá com a governadora Rodríguez Ceja e presidirá um debate sobre finanças ilícitas com líderes de instituições financeiras e membros da Associação de Bancos do México.

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Este ano, o México se tornou o maior parceiro comercial de bens dos Estados Unidos.

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© Agence France-Presse

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