Começa julgamento de guatemalteco acusado de matar ativista francês em 2020

O julgamento pelo assassinato do ativista francês Benoît Maria em 2020 na Guatemala começou nesta segunda-feira (11) com um pedido para que o acusado assuma responsabilidade por um crime secundário (que depende de outra figura).

Maria era diretor da ONG Agrônomos e Veterinários Sem Fronteiras (AVSF) na Guatemala e apoiava há mais de duas décadas as comunidades indígenas maias em projetos agrícolas quando foi morto em 10 de agosto de 2020.

O Tribunal de Alto Risco de Quetzaltenango, 200 quilômetros a oeste da capital da Guatemala, começou com um debate oral e público com um pedido do acusado, o indígena Diego Tay.

"Iniciou [o julgamento] com uma solicitação da defesa para aceitar as acusações pelo crime de porte ilegal de arma de fogo", declarou à AFP o advogado Edgar Pérez, do Escritório de Direitos Humanos, que representa a família da vítima. O pedido busca reduzir a pena por este delito, que tem pena máxima de 10 anos de prisão.

Tay era membro do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural da região onde ocorreu o crime e foi detido em setembro de 2021 pelo assassinato do ex-diretor

Conhecido como "Benito", o francês de 52 anos dirigia uma van por uma estrada rural do povoado indígena de San Antonio Ilotenango, no departamento de Quiché (norte), quando foi atacado por tiros.

O julgamento, que está sendo realizado no departamento de Quetzaltenango por questões de "segurança", segundo Pérez, está sendo acompanhando pela companheira de Maria e mãe de seus filhos, Anna Isern Sabria, que mora na Guatemala, bem como por seus dois irmãos, Christophe e David Maria, que viajaram da França, junto com Frederic Apollin, diretor geral da AVSF.

"No departamento de Quiché o tribunal não tinha garantias de segurança", pelo que "foi solicitada a extensão da jurisdição a um tribunal" que observa casos de "maior risco" ou de alto impacto, destacou o advogado da defesa.

- Entender a motivação -

Três anos após o assassinato, a família do francês ainda não sabe a motivação do crime, embora as investigações tenham descartado a possibilidade de roubo.

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"A família de Benoît Maria espera que as discussões lancem luz sobre os motivos que levaram a este assassinato", afirmou à AFP a advogada Clémence Witt, que acompanha o caso na França junto ao seu colega Alexandre Luc-Walton.

Witt comentou que existe outro pessoa envolvida no crime para a qual já foi emitida uma "ordem de busca e captura internacional" e que se espera que "permita a prisão, o que poderia o levar a um segundo julgamento".

A advogada informou que os investigadores encontraram "objetos pessoais de Benoît Maria no interior do carro", mas que se "descartou imediatamente a hipótese de um homicídio com o objetivo de roubo".

Quando Tay foi capturado em 2021, o Ministério Público indicou que uma das possíveis motivações teria sido o fato de que Maria se recusou a pagar um "direito de passagem" ou extorsão pela estrada comunitária. Mas as circunstâncias e os motivos ainda não foram revelados.

Organizações de diretos humanos observaram que o crime ocorreu uma semana após o tribunal de máxima instância ordenar ao Estado que devolvesse terras à comunidade indígena Ixil, apoiada pelo ativista no município de Nebaj.

Maria também participou na criação da Universidade Ixil em Quiché em 2011, dedicada ao conhecimento ancestral dos povos originários, além de outros projetos.

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Witt explicou que a Justiça francesa tem competência para investigar o caso devido à nacionalidade da vítima.

Ao ser informado do crime em 2020, o presidente francês, Emmanuel Macron, exaltou o "compromisso humano, fraternal e solidário" de Maria, quem, teria sido "covardemente assassinado", completou.

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© Agence France-Presse

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