Manifestantes percorrem ruas do Recife contra o impeachment e pela democracia

Recife - Ato em defesa da democracia contra o impeachment da presidenta Dilma (Sumaia Villela/Agência Brasil)

Os manifestantes se reuniram na Praça do Derby e sairam em caminhada pela Avenida Conde da Boa VistaSumaia Villela/Agência Brasil

Em mais um dia de mobilização contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff no Recife, manifestantes percorreram as ruas do centro da cidade com a mesma proporção do último ato, no dia 18 de março. Eles se reuniram na Praça do Derby e saíram em caminhada pela Avenida Conde da Boa Vista durante protesto convocado pela Frente Brasil Popular, organização que reúne movimentos sociais como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), além de partidos políticos, entre eles o PT.

Os organizadores declaravam que defendem a democracia e que o processo de impeachment contra a presidenta Dilma não tem base legal e que, portanto, é um golpe. Foi com esse discurso que as pessoas protestaram. A maior parte dos presentes vestia vermelho, mas também tinha muita gente de branco e com bandeiras do Brasil.

As faixas e cartazes pediam a saída do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP). Outras mensagens defendiam políticas públicas criadas pelo governo do PT, como o Minha Casa, Minha Vida, e afirmavam que não era preciso ser petista para "lutar pela democracia".

Durante o trajeto, muitas pessoas demonstraram apoio das janelas dos prédios e dos veículos parados no trânsito. Para aqueles que estavam presos em engarrafamentos causados pela manifestação, os organizadores pediam desculpas no microfone e informavam que a causa era válida, pois estavam lutando pela democracia. Em uma parte da caminhada, o Hino Nacional foi tocado em um violino e acompanhado do coro da multidão.

Também estiveram presentes ao ato grupos de maracatu e de carnaval, como o Eu Acho é Pouco, tradição no carnaval de Olinda. Atores e advogados leram manifestos contra o impeachment. Manoel Constantino, ator e diretor de teatro, foi um dos que discursaram em cima do trio elétrico. 

 

Recife - Ato em defesa da democracia contra o impeachment da presidenta Dilma (Sumaia Villela/Agência Brasil)

O protesto reuniu movimentos sociais como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), além de partidos políticosSumaia Villela/Agência Brasil

"O Congresso não tem o direito de pedir o impeachment de uma presidenta que até agora não foi acusada de crime nenhum. Independente de partido, estamos defendendo o Estado de Democrático de Direito, onde uma maioria de 54 milhões optou por esse projeto político. O povo pode responder na próxima eleição. Agora derrubar [a presidenta] com um jogo cheio de mutretas, significa que [o Congresso] está traindo o povo", declarou.

A juventude também participou do ato. Alunos da escola estadual Porto Digital foram em grupo à manifestação. Alguns usavam uniforme e outros camisas estampadas com a gravura de Dilma Rousseff jovem, na época em que combatia a ditadura militar. Arthur Cordeiro, de 16 anos, disse que está lutando pela democracia.

Recife - Ato em defesa da democracia contra o impeachment da presidenta Dilma (Sumaia Villela/Agência Brasil)

Estudantes, professores e grupos de maracatu e de carnaval também participaram do ato no RecifeSumaia Villela/Agência Brasil

"Não tem provas contra ela. Já tentaram achar e não acharam. Saiu a lista e o nome dela não estava. Dos outros candidatos têm o nome. Por isso, eles querem tirá-la para voltar tudo como era antes e não dar em nada", argumentou.

Os estudantes não marcaram, mas encontraram professores na manifestação. Laércio Nunes, 45, leciona matemática. "Para nós é uma alegria ver que, com essa idade, eles já têm essa consciência, independente da influência do professor. Ninguém os chamou para vir", ressaltou. Laércio também defendeu o atual governo.

"Não imagino um pobre não agradecer a Lula e Dilma por tudo que foi feito no governo deles. Sempre estudei em escola pública e me formei com meu esforço. Mas hoje vejo muitos ex-alunos que não têm essa condição e conseguiram se formar graças as políticas de acesso ao ensino superior, como o Prouni e o Fies", acrescentou o professor.

A melhoria de vida da população pobre também foi o argumento usado pelo aposentado Amaro Lino Cavalcante, 79 anos. Em 41 anos como agente de saúde, ele nunca militou em partidos ou movimentos sociais, mas afirmou que é assíduo em passeatas.

"O impeachment é a maior irregularidade do mundo. A moça [Dilma Rousseff] não pode trabalhar por causa desse Congresso que aí está. Ela quer trabalhar, botar projeto pelo povo e eles não querem. Qual foi o pobre que chegou à universidade nos outros governos? Nenhum. Casa popular, ônibus para as escolas do interior... Ela quer trabalhar e eles não deixam. Querem tomar conta do poder e piorar o Brasil".

O aposentado também disse ser contra a corrupção, mas afirmou que é preciso provas e um julgamento antes do impeachment. "Deixa a Polícia Federal investigar, prender, botar na cadeia quem for julgado. Agora chamar de ladrão sem ter prova!" criticou Amaro Cavalcanti.

Recife - Ato em defesa da democracia contra o impeachment da presidenta Dilma (Sumaia Villela/Agência Brasil)

A maior parte dos presentes vestia vermelho, mas também tinha muita gente de branco e com bandeiras do BrasilSumaia Villela/Agência Brasil

Socialistas

Entre os manifestantes estavam também socialistas e comunistas de organizações da base do governo e de oposição à Dilma Rousseff. Presidente da Unidade Popular pelo Socialismo, partido recém-criado, Thiago Santos, 30 anos, destacou que o projeto político a ser implantado caso ocorra o impeachment  vai impedir conquistas sociais. "Um governo de Temer, PSDB e DEM vai ser muito pior para a classe trabalhadora. Vai retirar direitos. Somos contra as medidas que retiram direitos em curso no governo Dilma, mas não temos dúvida de que a saída para a crise não e um golpe".

Thiago também informou que a luta contra a corrupção se confunde com a luta contra o sistema capitalista. "Na nossa opinião, a corrupção é filha legítima do capitalismo. Enquanto houver capitalismo, seja qual for o governo, vai ter corrupção. A gente defende prisão dos corruptos e a estatização das empresas envolvidas em contratos com propina."

Presidente municipal do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), José Antônio Bertotti afirmou que a manifestaçaão pretende chamar a atenção dos parlamentares para o respeito à escolha do povo nas eleições. Segundo ele, os atos de violência que estão ocorrendo no país sob a justificativa de acabar com o comunismo são um perigo não só para as pessoas que têm essa ideologia.

"Nós não lutamos só pelo direito de existência dos comunistas. Nós lutamos pelo direito de existência da democracia, da luta de ideias. É nesse sentido que achamos que essa tentativa de golpe pode, inclusive, resultar em perseguição para todos aqueles que divergem de uma opinião que querem dizer ser comum. O que acontece hoje é que existem pessoas que divergem do governo Dilma, o que é justo e legítimo, mas existe uma maioria que concorda com a presidente e votou nela. Por que não respeitar a democracia?", questionou o dirigente comunista.

Além do Recife, cidades do interior de Pernambuco também receberam protestos contra o impeachment, como Caruaru, Petrolina, Tabira, Floresta, Passira e Garanhuns, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nasceu. 

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