Monteiro negocia em Washington aumento das exportações brasileiras para EUA

O Brasil vai impulsionar a agenda comercial com os Estados Unidos. As exportações para o mercado americano no ano passado atingiram US$ 24,2 bilhões, majoritariamente formadas por manufaturados, que responderam por 63,7% desse valor, mas há margem para um crescimento "muito maior", disse hoje (31) o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, após encontro, em Washington, com a secretária de Comércio dos Estados Unidos, Penny Pritzker.

Segundo Monteiro,  o encontro com Pritzker se destinou a discutir os próximos passos para ampliar as medidas de convergência regulatória, harmonização de normas e facilitação de comércio, visando a aumentar o comércio bilateral. Monteiro afirmou que o encontro dá andamento a uma série de ações iniciadas em fevereiro de 2015, quando fez a primeira visita como ministro aos Estados Unidos.

O ministro Armando Monteiro discute o estreitamento dos laços econômico-comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Para Armando Monteiro, o diálogo comercial com os Estados Unidos é estratégico para o BrasilArquivo/Antonio Cruz/ Agência Brasil

Nas negociações para ampliação do comércio com os Estados Unidos, convergência regulatória e harmonização de normas são pontos chave, uma vez que as tarifas para produtos industrializados brasileiros no mercado americano são relativamente baixas. Para muitos setores da economia brasileira, no entanto, o cumprimento das normas técnicas gera altos custos para o exportador.

De acordo com Monteiro, o diálogo comercial permanente com os Estados Unidos é estratégico para o Brasil. "A primeira viagem internacional que fiz no ano passado, quando assumi o ministério, foi justamente aos Estados Unidos, por reconhecer a importância e o dinamismo do mercado norte-americano e um grande espaço para crescer nosso comércio bilateral. Tivemos uma agenda intensa em 2015 e avançamos muito nas áreas que estabelecemos como prioritárias com o Departamento de Comércio, que são a convergência regulatória e a harmonização de normas. Pouco mais de um ano depois, podemos fazer um balanço positivo e estabelecer os próximos passos", acrescentou o ministro.

Monteiro chegou a Washington na quarta-feira (30) para uma agenda que teve início com a III Reunião do Acordo de Cooperação Econômica e Comercial, mecanismo de diálogo bilateral entre os organismos de comércio dos Estados Unidos e o Brasil, no âmbito do Tratado de Cooperação Econômica e Comercial (Atec). Ele participou também de um encontro na Câmara de Comércio dos Estados Unidos com empresários brasileiros e americanos.

Barreiras tarifárias

Na reunião, que terminou nesta quinta-feira, Armando Monteiro realçou o reconhecimento, pelos dois países, dos grandes avanços feitos no último ano para ampliar as relações comerciais. "Nossa agenda, estabelecida a partir do início de 2015, foi focada em remover barreiras não tarifárias, e evoluiu significativamente com acordos na área de convergência regulatória, facilitação de comércio e propriedade intelectual, temas essenciais para o comércio bilateral, majoritariamente composto por produtos industrializados. Foi uma renovação do comprometimento com nossa parceria e evolução constante de nossas relações de comércio e investimentos."

O encontro da Atec foi a primeira realizada em nível ministerial, reunindo o representante de Comércio americano Michael Froman e, pelo lado brasileiro os ministros Armando Monteiro e Mauro Vieira, das Relações Exteriores.

Comércio

Bens industriais, que alcançaram mais de 60% das exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2015, constituem avanço em relação aos 53% observados em 2014.  Os três principais produtos de exportação do Brasil para os EUA são, respectivamente, máquinas, aeronaves e produtos de ferro e aço.

Os Estados Unidos são o segundo principal parceiro comercial do Brasil. O intercâmbio bilateral total, somando-se bens e serviços, chegou próximo de US$ 100 bilhões em 2015. Os norte-americanos são os principais investidores estrangeiros diretos (IED) no Brasil, com estoque acumulado de investimentos da ordem de US$ 110 bilhões, segundo dados do Banco Central do Brasil.

Ao mesmo tempo, os investimentos brasileiros nos EUA tornam-se cada vez mais relevantes. O Brasil investiu US$ 1,9 bilhão nos Estados Unidos em 2015, elevando o estoque acumulado de IED brasileiro nos EUA a mais de US$ 13 bilhões.

Barreiras

Para reduzir barreiras não tarifárias desde fevereiro de 2015, os dois países definiram facilitação do comércio, harmonização de normas e convergência regulatória como os temas principais do diálogo comercial.

Durante a visita oficial da presidenta Dilma Rousseff aos Estados Unidos, entre 27 de junho e 1º de julho de 2015, foram assinados 22 acordos nas áreas de comércio, agricultura, meio ambiente, educação, ciência e tecnologia, turismo, defesa, política espacial e Previdência Social.

Entre esses, houve o memorando de Intenções sobre Normas Técnicas e Avaliação da Conformidade, que busca estreitar as relações comerciais por meio da redução da burocracia e dos custos e prazos no cumprimento de exigências técnicas necessárias à atividade exportadora.

Foram ainda assinados memorandos de acordos sobre registro de patentes, promoção do crescimento de micro, pequena e média empresas e um Plano de Ação para o Reconhecimento Mútuo do Operador Econômico Autorizado.

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