Sentença de policiais acusados de execução no Butantã deve sair hoje

Elaine Patricia Cruz - Repórter da Agência Brasil

Sete jurados devem decidir na noite de hoje (27) se condenam ou absolvem os três policiais acusados de executar Fernando Henrique da Silva, 23 anos, em setembro de 2015.

O julgamento teve início ontem (26), com a leitura do processo pelos jurados, os depoimentos das testemunhas de acusação e de defesa e o interrogatório dos réus, que terminou por volta das 21h30.

A juíza Giovanna Christina Colares decidiu interromper o julgamento e deixar para hoje os debates do promotor Rogério Leão Zagallo, que começou a falar por volta das 10h25 de hoje e terá duas horas e meia para fazer a acusação, e dos advogados que defendem os réus, que também terão duas horas e meia para defender os policiais. Há possibilidade ainda de réplica e tréplica. A previsão é que essa etapa de debates tenha nove horas de duração e só então os jurados se reunirão para decidir a sentença.

Réus no processo, Flávio Lapiana de Lima e Fabio Gambale da Silva são acusados de homicídio doloso qualificado (por motivo torpe, meio cruel e sem possibilidade de defesa da vítima), fraude processual (por alteração no local do crime) e falsidade ideológica (por terem dado versões falsas sobre o crime durante a investigação). O terceiro réu, Samuel Paes, responde por homicídio doloso qualificado (por motivo torpe, meio cruel e sem possibilidade de defesa da vítima).

O caso

Fernando estava em uma moto roubada com Paulo Henrique Porto de Oliveira, de 18 anos, quando foi surpreendido por policiais na Rodovia Raposo Tavares.

Durante a fuga, Fernando abandonou a moto e subiu no telhado de uma casa no bairro do Butantã, na zona oeste da capital paulista, e foi cercado por policiais.

Imagens feitas à distância por celulares mostram o policial Samuel Paes aproximando-se da vítima ainda no telhado, revistando-a e, aparentemente, jogando Fernando, rendido e desarmado, do telhado em direção ao quintal de uma casa. Depois da queda - cena que não foi registrada pelas imagens - os dois policiais, Flávio Lapiana de Lima e Fabio Gambale da Silva, que estavam no quintal aguardando, teriam atirado contra Fernando, que morreu no local.

Os policiais alegam que agiram em legítima defesa e que atiraram em Fernando após ele ter disparado na direção deles. Já o Ministério Público acusa os policiais de execução, por terem matado Fernando quando ele já estava rendido, desarmado e sob a mira de diversos policiais.

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