Veja como foi sexto dia de paralisação dos caminhoneiros

Os protestos dos caminhoneiros nas rodovias do país chegaram neste sábado (26) ao sexto dia. Mesmo após o governo federal ter autorizado o uso de forças de segurança para desobstruir as vias, a categoria permaneceu bloqueando parte das estradas e com caminhões parados nos acostamentos. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) está multando quem se recusa a sair da pista e policiais estão escoltando caminhões-tanque das refinarias até seu destino final.

Na maior parte das grandes e médias cidades, a frota do transporte público foi reduzida de 30% e 40%. Os atendimentos hospitalares se limitaram às emergências e às ambulâncias. Marcações de consulta e cirurgias foram adiadas. Em algumas cidades, como Brasília, os postos estão voltando a ter combustíveis, mas as filas de motoristas continuam enormes. Em São Paulo, muitas estradas permanecem bloqueadas e o combustível é suficiente somente até segunda-feira para os serviços essenciais. A polícia e governo estadual negociam a liberação das rodovias. 

Veja como foi o sexto dia de paralisação dos caminhoneiros: 

São Paulo

O governador Márcio França anunciou a suspensão da cobrança do eixo suspenso, usado pelos caminhões que trafegam sem carga total, nos pedágios das rodovias paulistas. A medida faz parte de um pacote de medidas negociado para a desobstrução das estradas. O interrupção da cobrança começa a vigorar a partir da 0h de terça-feira (29), prazo negociado pelos líderes dos caminhoneiros para liberação das rodovias, principalmente trechos da Régis Bittencourt (que liga aos estados do Sul) e do Rodoanel (que interliga rodovias na região metropolitana paulista). França prometeu ainda retirar as multas aplicadas pela Polícia Rodoviária aos caminhoneiros parados nas rodovias.

Já o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, disse que o combustível para a maior parte dos serviços essenciais está garantido até segunda-feira (28). A prefeitura decidiu manter, por tempo indeterminado, o estado de emergência. 

Governo de São Paulo interrompe cobrança de eixo suspenso de caminhões nas rodovias paulistas  Arquivo/Priscila Rangel/Agência Brasil
Municípios da grande São Paulo e do interior também decretaram situação de emergência.

Guarulhos operou com 30% da frota de transporte público e amanhã (27) terá 25% dos ônibus nas ruas. Na segunda-feira (28), está prevista uma frota de 40% dos veículos. Foram suspensos serviços de zeladoria, tapa-buracos, feiras livres e coleta de lixo doméstico. A coleta de resíduo hospitalar terá prioridade nas unidades de maior movimento. O serviço funerário está garantido até quarta-feira (30).

Já Diadema suspendeu as coletas de análises clínicas e o transporte de fisioterapeutas. O recolhimento dos Ecopontos (entulho, madeira, móveis e sobra de construção) está suspenso, já que foi priorizada coleta de lixo doméstico - o combustível para remoção de lixo dura até terça-feira (29).

Rio de Janeiro 

A cidade do Rio de Janeiro permanece em estágio de atenção. O Centro de Operações da Prefeitura do Rio diz que com a manutenção da greve dos caminhoneiros, o desabastecimento de combustível "afeta drasticamente a mobilidade no município". Em uma escala de três, o estágio de atenção está no segundo nível e significa que um ou mais incidentes impactam, no mínimo, uma região, provocando reflexos relevantes na mobilidade.

Parte do BRT, sistema de ônibus expresso do Rio de Janeiro, voltou a funcionar, com 28 ônibus articulados em circulação. Cinco caminhões-tanque deixaram a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense, para abastecer o BRT.

Por falta de combustível, o transporte de barcas entre o Rio e Niterói foi totalmente suspenso neste sábado.

O Exército disponibilizou um contingente de soldados para dar apoio à Polícia Militar (PM) na segurança em torno da Reduc.

 

A Polícia Rodoviária Federal determinou que caminhoneiros parados no acostamento da BR-040 retirem caminhões em frente à Reduc (Vladimir Platonow / Agência Brasil)

Brasília 

O abastecimento de combustível no Distrito Federal deverá estar normalizado até segunda-feira (28), informou o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e de Lubrificantes do Distrito Federal (Sindicombustíveis). Segundo a entidade, que representa os postos de gasolina, hoje (26) foram entregues mais 3 milhões de litros em diversos postos da capital federal e de cidades próximas.

De acordo com o sindicato, o abastecimento amanhã (27) funcionará em esquema de plantão e os caminhões continuarão a ser escoltados por policiais. Para o governador Rodrigo Rollemberg, está descartada a possibilidade de decretar estado de emergência. A prioridade, segundo ele, concentra-se em saúde, segurança e transporte público. Rollemberg suspendeu a cobrança de multas de motoristas que fazem fila dupla e param nas pistas à espera do abastecimento nos postos.

O abastecimento de combustível no Distrito Federal deve ser normalizado até segunda-feira  Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Salvador

Os serviços de limpeza urbana também foram afetados em várias capitais. Em Salvador, o prefeito Antonio Carlos Magalhães Neto assegurou que os serviços funcionarão, mas não na sua totalidade. Também na capital baiana foi mantido o mutirão de vacinação contra o vírus da gripe.

Manaus

Em decorrência dos impactos da paralisação dos caminhoneiros, a cidade de Manaus entrou em estado de emergência. O prefeito Arthur Virgílio Neto decretou a medida por causa da falta de combustíveis na capital amazonense. O decreto ficará em vigor até a normalização do serviço de abastecimento.

Sergipe

Os caminhoneiros estacionados em vários pontos no acostamento da BR 101, no trecho que passa por Sergipe, deixaram o local após notificação de decisão judicial. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os caminhoneiros estavam nas chamadas áreas de segurança, como pátios dos postos de combustíveis. Os manifestantes permitiram que caminhões com carga viva, medicamentos e insumos hospitalares seguissem a viagem.

Apesar disso, a frota de transporte coletivo de Aracaju sofreu redução de 50% neste fim de semana por causa dos baixos estoques de diesel.

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