PUBLICIDADE
Topo

Coronel Malhães é encontrado morto um mês após confessar tortura

No Rio de Janeiro

25/04/2014 14h32

O coronel reformado do Exército Paulo Malhães foi encontrado morto, na manhã desta sexta-feira (25), no sítio em que morava, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O corpo apresentava marcas de asfixia, informou a Polícia Civil. O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense.

Malhães prestou depoimento em março à Comissão Nacional da Verdade em que relatava ter participado de prisões e torturas durante a ditadura militar. Disse também que foi o encarregado pelo Exército de desenterrar e sumir com o corpo do deputado Rubens Paiva, desaparecido em 1971.

De acordo com o relato da viúva Cristina Batista Malhães, três homens invadiram o sítio de Malhães na noite desta quinta-feira, 24, à procura de armas. A versão foi confirmada pelo delegado Fábio Salvadorete, responsável pela investigação. O coronel era colecionador de armamentos, disse a mulher aos policiais da DH-Baixada que estiveram na propriedade.

"Não estamos descartando nenhuma hipótese. Pode ter sido um homicídio por motivo de vingança e até mesmo um latrocínio, uma vez que foram levados vários pertences da vítima", afirmou Salvadorete. Segundo o delegado, os criminosos levaram dois computadores, pelos menos três armas antigas colecionadas pelo militar, um aparelho de som, joias e cerca de R$ 700 em dinheiro.

$escape.getH()uolbr_geraModulos('embed-citacoes','/2014/frase-do-coronel-paulo-malhaes-1398449813035.vm')

Cristina disse que ela e o caseiro foram amarrados e trancados em um cômodo, das 13h às 22h desta quinta-feira (24), pelos invasores. Em nota, a Polícia Civil informou que agentes "buscam imagens de câmeras de segurança que possam auxiliar na identificação" dos suspeitos de assassinar o militar.

"A perícia de local foi realizada e a mulher da vítima e o caseiro já foram ouvidos. Os agentes buscam imagens de câmeras de segurança que possam auxiliar na identificação da autoria do crime. Foram roubados armas da coleção da vítima e computadores. O caseiro será encaminhado para confecção de retrato falado", informou a instituição.

O coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari, afirmou ter solicitado ao ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) que a Polícia Federal acompanhe as investigações sobre o assassinato do coronel. Já o Exército afirma, por meio de sua assessoria de imprensa, que "aguarda as investigações dos órgãos de segurança pública".

$escape.getH()uolbr_geraModulos('embed-foto','/2014/peritos-inspecionam-casa-do-sitio-do-coronel-paulo-malhaes-encontrado-morto-na-manha-desta-sexta-feira-25-em-nova-iguacu-1398455693590.vm')

"Por se tratar de uma situação que envolve investigação conduzida pela CNV, que é órgão federal, pedi que a Policia Federal fosse acionada para acompanhar as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Rio", afirmou Dallari.

O presidente da CEV-RJ (Comissão Estadual da Verdade), Wadih Damous, afirmou ser "possível que o assassinato do coronel Paulo Malhães tenha sido queima de arquivo". Para Damous, o crime tem que ser investigado com rigor.

"Na minha opinião, é possível que o assassinato do coronel Paulo Malhães tenha sido queima de arquivo. Ele foi um agente importante da repressão política na época da ditadura e era detentor de muitas informações sobre fatos que ocorreram nos bastidores naquela época. É preciso que seja aberta com urgência uma investigação na área federal para apurar os fatos ocorridos no dia de hoje. A investigação da morte do coronel Paulo Malhães precisa ser feita com muito rigor porque tudo a leva a crer que ele foi assassinado", declarou.

Já a ministra Ideli Salvatti (Direitos Humanos) disse que seria "irresponsável" concluir que o assassinato de Malhães foi queima de arquivo sem a investigação sobre a morte. Ela cobrou seriedade dos órgãos de segurança nas apurações do caso. "Seria uma irresponsabilidade prestar declaração que associe o assassinato ao depoimento antes que qualquer tipo de investigação indique isto. Não podemos fazer acusações", defendeu a ministra.

A advogada Nadine Borges, que também integra CEV do Rio, afirmou à Folha de S.Paulo ter conversado com uma das filhas do militar. Segundo ela, a mulher do coronel foi amarrada e todas as armas do militar foram roubadas. "A polícia tem que investigar a fundo esse crime. Tudo indica que é uma queima de arquivo", disse ela.

A ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Maria do Rosário comentou a morte de Malhães.

"Soa estranho que, após essas revelações, o militar tenha sido assassinado. Estou entrando em contato com os ministros Ideli (SDH) e José Eduardo Cardozo (MJustiça) para pedir apoio da Polícia Federal na investigação", escreveu ela em sua página no Twitter. (Com Agência Brasil)

$escape.getH()uolbr_geraModulos('embed-lista','/2014/malhaes-na-comissao-da-verdade-1398449659479.vm')

Coronel nega ter escondido corpo de Rubens Paiva

Vítima foi arrastada por ônibus na ditadura militar no Brasil