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Sabesp alega 'vazamento' e Alckmin adia entrega de transposição da Billings

30/09/2015 09h38

São Paulo - O governo Geraldo Alckmin (PSDB) alegou um "vazamento" em uma tubulação e cancelou, em cima da hora, a inauguração da transposição de água da Billings para o Sistema Alto Tietê, considerada a principal obra para garantir o abastecimento da Grande São Paulo no período seco, que acaba, oficialmente, nesta quarta-feira, 30. Ainda não foi divulgada uma nova data para a entrega.

A obra, que vai levar 4 mil litros por segundo do braço Rio Grande, no ABC paulista, para a Represa Taiaçupeba, em Suzano, seria inaugurada às 9h30 desta quarta-feira, 30, por Alckmin. Com o novo atraso, o governador não consegue cumprir sua última promessa, que era inaugurá-la em setembro. Antes, o tucano já havia prometido a entrega da transposição para maio, julho e agosto.

Em nota, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou que a inauguração foi adiada "em decorrência de problemas técnicos".

"Durante o processo de carregamento da tubulação foi detectado um vazamento em uma junta submersa. Mergulhadores estão no local trabalhando para solucionar a questão. Estas ocorrências fazem parte da fase de operação assistida da obra, conforme já anunciado. Tão logo os ajustes sejam feitos a obra entrará em operação", afirmou a estatal.

Orçada em R$ 130 milhões, a transposição vai levar água do braço Rio Grande da Represa Billings, que está cheio, para a Represa Taiaçupeba, do Sistema Alto Tietê, que está praticamente vazio. Com o reforço de 4 mil litros por segundo, responsável por abastecer cerca de 1,2 milhão de pessoas, a Sabesp espera recuperar o segundo maior manancial da Grande São Paulo e depois avançar em bairros que ainda são atendidos pelo Sistema Cantareira, que opera há mais de um ano no volume morto, a reserva profunda das represas.

Na semana passada, a reportagem revelou que a transposição de água da Billings poderá ser suspensa dependendo do nível de contaminação da represa por cianobactérias (algas), que se formam a partir do lançamento de esgoto no manancial.

A suspensão do bombeamento está prevista em um plano de contingência para cianobactérias elaborado pela Sabesp em conjunto com a Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb) e o Centro de Vigilância Sanitária do Estado.

Segundo a Sabesp, a possível suspensão não vai afetar o abastecimento de água para a população da Grande São Paulo. A transposição ainda é questionada na Justiça em ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual (MPE), que apontou falhas no licenciamento ambiental da obra. O mérito do caso ainda não foi julgado.

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