Cão de guarda de Frank Underwood desaconselharia viagem ao Brasil

De Buenos AIres

  • Divulgação

    Michael Kelly, ator que interpreta Doug Stamper na série "House of Cards"

    Michael Kelly, ator que interpreta Doug Stamper na série "House of Cards"

Doug Stamper, cão de guarda político de Frank Underwood, o inescrupuloso presidente americano da série "House of Cards", desaconselharia uma viagem de seu chefe ao Brasil hoje.

Michael Kelly, o ator que interpreta o assessor capaz de matar, mentir e até parar de beber para manter na Casa Branca o personagem vivido por Kevin Spacey, disse nesta quinta-feira, 17, ao jornal "O Estado de S. Paulo" que tenta se informar sobre a crise brasileira, mas não a conhece o suficiente para opinar. Ele esteve em Buenos Aires para promover a nova temporada da produção da Netflix.

Mas ao ser questionado a que lugar Doug levaria o presidente americano em Buenos Aires - o gancho para a pergunta era a visita de Barack Obama, que estará na Argentina no próximo dia 23 -, ele recorreu à saída mais óbvia. "A um show de tango. Fui a um e achei espetacular, muito sensual", afirmou o ator, que visita pela primeira vez a América Latina e gostaria de ir ao Brasil.

Quando a pergunta foi sobre a conveniência de estender a hipotética visita de Underwood ao Brasil, Kelly sorriu e recusou a oferta.

OPINIÃO PESSOAL

Questionado se conhecia a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "Doug" disse que não. "Eu não sei a diferença entre um e outro. Então chegar aqui e me meter nessa sujeirada toda não seria inteligente da minha parte", argumentou com gentileza, usando, isso sim, uma voz bem mais grave que a que caracteriza seu personagem.

"Sabia dos problemas econômicos e estive lendo a respeito, mas não o suficiente para fazer um comentário político. Somos um programa, uma série de TV. Eu sei que House of Cards tuitou alguma coisa fazendo uma comparação (com o Brasil), mas não seria justo com as pessoas no Brasil eu opinar", disse Kelly.

Ele negou ter criticado o candidato republicano Donald Trump, outra questão com a qual teve que lidar repetidas vezes nesta quinta-feira, 17. O ator faz campanha pela democrata Hillary Clinton e disse ter se interessado mais por política desde que conseguiu o papel.

No início do mês, o serviço de transmissão pela internet colocou no ar uma campanha de marketing com Frank Underwood em capas virtuais das revistas Veja e Carta Capital. Em um de seus últimos tuítes, Underwood joga também com a tensão política brasileira ao afirmar que está de olho no noticiário. Os produtores já tinham recorrido à estratégia de misturar fatos políticos reais para atrair fãs do programa na Argentina, quando Mauricio Macri venceu a eleição, e na véspera de um debate eleitoral na Espanha.

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