Processo de impeachment

Oposição diz que delação da Andrade Gutierrez pode influenciar impeachment

Em Brasília

  • Charles Sholl/Futura Press/Estadão Conteúdo

    Ex-presidente de empreiteira diz que propina abastecer campanha de Dilma

    Ex-presidente de empreiteira diz que propina abastecer campanha de Dilma

Líderes da oposição ao governo federal avaliaram nesta quinta-feira (7), que o conteúdo da delação premiada do ex-presidente da empreiteira Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, pode influenciar na votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. Azevedo teria relacionado propinas a doações feitas às campanhas da presidente nas eleições de 2010 e 2014.

Para o líder do PSDB na Casa, Antonio Imbassahy (BA), a revelação cria cada vez mais um ambiente desfavorável à presidente da República, embora a delação não seja objeto da denúncia em análise pelos deputados. "O conjunto da obra acaba por influenciar", observou.

Azevedo afirmou em delação premiada da Operação Lava Jato, segundo o jornal "Folha de S.Paulo", que a empreiteira realizou doações para as campanhas eleitorais de Dilma com recursos de propinas de obras superfaturadas da Petrobras e do sistema elétrico. As contribuições da empresa, de R$ 20 milhões, foram registradas na Justiça Eleitoral, mas R$ 10 milhões estariam ligados a desvios das obras das usinas de Angra 3 e Belo Monte, além do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj). O PT nega irregularidades nas doações.

"Onde você mexer vai encontrar rastro de dinheiro fácil para financiar campanhas. Estamos falando de crimes da maior gravidade que o País nunca viu", comentou mais cedo o líder do PPS, Rubens Bueno (PR).

O líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA), disse que a delação não deve influenciar os parlamentares porque o vazamento "virou rotina de disputa política". "Mais vazamento de natureza política não incidirá no resultado", declarou.

O deputado Ivan Valente (SP), líder do PSOL, disse que a delação mostra que doações eleitorais vieram de dinheiro "roubado da Petrobras para vários partidos". "É mais uma denúncia de delação. As delações precisam ser confirmadas. Se forem verdadeiras, terão influência", avaliou.

Entenda o processo do impeachment

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O que acontece agora?

Após a apresentação do relatório em sessão da comissão do impeachment, entenda quais são os próximos passos do processo do impeachment.

- Pedido de vista

Após a leitura do relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), segue-se um período de vista coletiva de dois dias, para os membros da comissão analisarem o documento

- Discussão

Na sexta-feira (8), deve começar a discussão, que será interrompida no final de semana e retomada na segunda-feira (11). Pelo regimento da Câmara, cada um dos 65 titulares e 65 suplentes da comissão têm até 15 minutos para falar, mas os deputados negociam para encurtar essa etapa

- Votação na comissão

Os deputados da comissão votam se concordam ou não com o parecer. Isso deve acontecer a partir das 17h da segunda-feira (11)

- Votação na Câmara

Aprovado o parecer, ele será lido na próxima sessão do plenário da Câmara, possivelmente na terça-feira (12). Depois é publicado no Diário do Legislativo e, após 48 horas, o pedido de impeachment pode ser votado pelos deputados em plenário.

O plenário da Câmara fará votação nominal dos 513 deputados (o presidente da Casa, Eduardo Cunha, do PMDB-RJ, já indicou que também deve votar) sobre o pedido de impeachment. A votação deve se estender por três dias, com início no dia 15. Se tiver 342 deputados a favor, o pedido segue para análise do Senado

- Autorização ao Senado

Comissão é formada no Senado em dois dias e tem mais dez dias de prazo para emitir um parecer

- Votação no Senado

Se, por maioria simples (41 dos 81 senadores), o Senado referendar o pedido, a presidente é afastada de suas funções por 180 dias. O vice, Michel Temer (PMDB), assume interinamente

- Julgamento

Ainda no Senado, são apresentadas acusação e defesa, sob o comando do presidente do STF, Ricardo Lewandowski. Para afastar Dilma de vez, são necessários 54 votos de um total de 81 senadores

- Condenação

Se condenada, Dilma perde o mandato e fica inelegível por oito anos. Temer assume definitivamente para terminar o mandato para o qual a chapa foi eleita

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