Eleições municipais devem atrasar os planos da equipe econômica

Brasília - O governo trabalha para aprovar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do teto até outubro na Câmara e até o fim deste ano no Senado Federal. Porém, as eleições municipais prometem ser uma dificuldade não só pelo calendário de trabalho mais estreito, mas também pela pouca disposição de parlamentares da base em apoiar causas que contrariam grupos mais organizados.

As eleições municipais estão na raiz das dificuldades que levaram o governo a abrir mão de regras que apertariam os gastos de Estados com as folhas salariais. Uma disciplina mais forte nas despesas era a contrapartida para o alívio de caixa proporcionado pela renegociação das dívidas estaduais com o Tesouro.

Porém, o governo foi avisado que os deputados, muitos candidatos a prefeito, não comprariam briga com o funcionalismo. Com isso, foram retirados da proposta itens que facilitariam o aperto dessas despesas.

Pela mesma razão, a proposta de reforma da Previdência só seguirá para o Congresso Nacional após as eleições, segundo se cogita no Palácio do Planalto. Chamadas a negociar, as centrais sindicais não concordaram com a linha de trabalho do governo e prometem fazer dura oposição à proposta.

Apesar das dificuldades, o presidente em exercício Michel Temer deverá reafirmar, em seu discurso de posse, caso seja confirmado no posto, o compromisso do governo com quatro reformas: da Previdência, trabalhista, tributária e política. Dessas, a previdenciária é a mais adiantada. A trabalhista está em estudos na área econômica.

Impeachment

A definição do cenário político, com a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, não deverá mudar o ritmo de tramitação dessas propostas no Congresso, segundo se admite no entorno de Temer. "A dinâmica deve ser mais ou menos a mesma", disse um auxiliar. Assim, a agenda econômica deverá exigir o máximo da propalada capacidade negociadora do eventual presidente.

"Não há dúvida de que, com o impeachment, ele sairá politicamente fortalecido", disse o cientista político Rafael Cortez, da consultoria Tendências. "Mas há conflitos que continuarão no horizonte."

Além do calendário eleitoral, ele aponta para a dificuldade de Temer em construir um governo de coalizão de fato. Isso porque a rejeição a Dilma não se traduz, necessariamente, em apoio a ele. "Há uma contradição não resolvida na base", ressaltou. Trata-se da disputa entre o partido de Temer, o PMDB, e seu principal aliado, o PSDB, pelo protagonismo na oposição ao PT. "Isso não se resolve no curto prazo."

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