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Lobista ligado a Renan Calheiros foi alvo da 35ª fase da Lava Jato

O lobista Milton de Oliveira Lyra Filho, citado na Lava Jato como operador de senadores do PMDB - Zanone Fraissat - 15.mar.2013/Folhapress
O lobista Milton de Oliveira Lyra Filho, citado na Lava Jato como operador de senadores do PMDB Imagem: Zanone Fraissat - 15.mar.2013/Folhapress

Em São Paulo

26/09/2016 14h45

O lobista Milton de Oliveira Lyra Filho, ligado ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi alvo de condução coercitiva e buscas e apreensões nesta segunda-feira (26), alvo da 35ª fase da Operação Lava Jato, que levou para a cadeia o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil), nos governo Lula e Dilma Rousseff.

A Operação Omertà, nome da 35ª fase, identificou relações de Lyra com recebedores de propinas da Odebrecht, identificados nas planilhas do Setor de Operações Estruturas da empreiteira - o "departamento da propina". Um dos episódios ocorreu em 2010, em São Paulo, em que o endereço de recebimento era o de Luiz Gustavo Machado. "Em uma dessas oportunidades terminal telefônico de Milton Lyra foi fornecido como contato para o Setor de Operações Estruturadas", registrou o delegado da Polícia Federal Filipe Hille Pace.

Milton de Oliveira Lyra Filho é um empresário conhecido em Brasília. Há alguns anos, comanda o empreendimento comercial Meu Amigo Pet, uma rede de produtos para animais de estimação que atua na internet e também com lojas físicas. Bem relacionado com vários políticos, Milton aproximou-se do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), há cerca de 10 anos. Já trabalhou também com o usineiro e ex-deputado João Lyra - eleito em 2010 pela última vez pelo PTB de Alagoas, mas depois filiou-se ao PSD.

Investigado

Milton Lyra também aparece em delação premiada, firmada com a Procuradoria-Geral da República, por Nelson Mello, ex-diretor de Relações Institucionais do Grupo Hypermarcas. Ele afirmou que pagou R$ 30 milhões a dois lobistas com trânsito no Congresso para efetuar os repasses para senadores do PMDB, entre eles o presidente do Congresso, Romero Jucá (RR) e Eduardo Braga (AM). Além de Lyra foi citado Lúcio Bolonha Funaro.

Milton Lyra afirmava agir em nome dos senadores "da bancada do PMDB" que teriam sido destinatários da maior parte da propina, afirmou o delator.

Em outra frente de apurações, que apura desvios nos fundos de pensão, ele é investigado por aparecer como operador de duas empresas que captaram R$ 570 milhões do Postalis, o fundo de pensão dos Correios.

O lobista é beneficiário da offshore Venilson Corp, aberta em fevereiro de 2013 no Panamá, segundo revelaram os documentos do Panama Papers. A empresa foi usada para abrir uma conta numa agência do banco UBS na Alemanha. A instituição bancária encerrou as relações com o brasileiro cerca de dois meses depois, quando houve uma tentativa de movimentar uma alta quantia pela conta sem que estivesse esclarecida a origem do dinheiro.

A notoriedade de Milton aumentou no final de 2015, quando o senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) foi preso numa das fases da Operação Lava Jato. Um bilhete apreendido na casa de Diogo Ferreira, então chefe de gabinete de Delcídio, falava de uma suposta propina de R$ 45 milhões. Milton Lyra é citado nesse contexto nas mesmas anotações - e nega qualquer tipo de conexão com essa história.