Após cortes da Prefeitura de SP, 'rolezinhos' estão voltando a shoppings

Em São Paulo

  • 22.dez.2013 - Joel Silva/Folhapress

    Rolezinhos em shoppings haviam diminuído após programas da Prefeitura de SP

    Rolezinhos em shoppings haviam diminuído após programas da Prefeitura de SP

Depois de sair dos shoppings, por causa dos conflitos com a Polícia Militar e de decisões judiciais, os rolezinhos --encontros com grande quantidade de jovens da periferia-- estão voltando, aos poucos, para os centros de compras. Os eventos são uma "resposta" dos organizadores à Prefeitura de São Paulo, que cortou o Funk SP e o Rolezinho da Cidadania, que consistia em shows feitos em lugares fechados para o mesmo público.

Só neste mês há ao menos três "rolezinhos" marcados nas redes sociais: no Parque Villa-Lobos, nesta terça-feira, 15, com 1,1 mil pessoas confirmadas; no Metrô Itaquera, no sábado, 19, com 720; e no Shopping Tatuapé, no dia 26, com 197 confirmações.

O presidente da Associação Rolezinho - A Voz do Brasil, Darlan Mendes, responsável pelos eventos, diz que há dívidas a serem pagas até com shows oficiais já realizados. "Como a polícia vai bater na molecada da periferia se não dá uma opção? Não adianta proibir sem dar uma solução."

Ele ressalta que o governo do Estado também poderia ajudar nos eventos. "Não vem só gente da capital, mas também de várias cidades da região metropolitana", diz.

Convocação nas redes levou milhares a parque de SP em agosto

Crise

A SPTuris (São Paulo Turismo), empresa responsável pelos projetos Funk SP e Rolezinho da Cidadania, diz que os programas foram afetados pela crise econômica. "O problema é que, neste ano, a arrecadação da Prefeitura teve uma queda considerável e o orçamento foi reduzido drasticamente em relação ao ano passado", diz o assessor da diretoria de Responsabilidade da SPTuris, André Cintra.

"A estrutura que usamos é muito cara, porque esses eventos (informais) não tinham nenhum equipamento. Tem ambulância, banheiro químico, posto médico", enumera Cintra. Ele afirma que, com a mudança, o número de pancadões na cidade caiu de 700 para cerca de 300.

A Prefeitura informou ainda, em nota oficial, que os investimentos municipais nos últimos eventos, na Cidade Tiradentes e em Interlagos, foram, respectivamente, de R$ 187,3 mil e de R$ 174,1 mil, com média de público de 2 mil pessoas e artistas como Péricles, MC Léo da Baixada, MC Davi e Thulla Melo.

Retomada

A SPTuris ressaltou ainda que realizou sete rolezinhos neste ano. "Em um cenário de crise econômica que atinge o Brasil, com queda na arrecadação fiscal e inevitáveis ajustes orçamentários, o projeto teve de ser temporariamente interrompido. Um aditamento ao contrato, já efetivado, garantirá a retomada da programação ainda em novembro", diz o governo municipal.

O "Estadão Conteúdo" solicitou à Secretaria da Segurança Pública (SSP) o número de pancadões e rolezinhos em que atuou neste ano, mas a pasta diz que não faz o levantamento.

Procurado, o Shopping Tatuapé afirma que "os jovens constituem um importante público" e a equipe do centro de compras "está habituada a recebê-los e conhece o seu comportamento". A administração nega que vá pedir o indeferimento de outros rolezinhos na Justiça. "Esse recurso não precisou ser utilizado." Já o Shopping Metrô Itaquera afirma que "as equipes de segurança são capacitadas para zelar pela segurança dos clientes."

Você conhece as rolezeiras? Descubra quem são e o que pensam

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