'Não podemos mais tolerar a esculhambação que é a política do nosso país', diz Calero

No Rio

  • Leo Pinheiro - 4.mar.2014/Valor

    Após pedir demissão, Calero disse que Geddel o pressionou para liberar uma obra

    Após pedir demissão, Calero disse que Geddel o pressionou para liberar uma obra

O ex-ministro da Cultura Marcelo Calero negou, em seu perfil no Facebook, na manhã desta terça-feira (29), que tenha "agido a serviço do PSDB" ao denunciar o ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB), o que levou à saída de ambos do governo Michel Temer (PMDB).

Calero se referia a informações que circulam em redes sociais de que o seu antigo partido iria se beneficiar com a desestabilização da gestão Temer. Ele também mencionou uma foto que vem sendo veiculada em que aparece junto com a deputada federal Jandira Feghali (PC do B-RJ), e afirmou que a busca por uma explicação para a sua denúncia reflete a "deterioração moral e ética" do país.

"Infelizmente, sabemos que fazer o certo tem o seu preço. Como disse em recente entrevista, sabia que qualquer coisa fariam ou farão para minar minha reputação e credibilidade, como se eu é que tivesse feito algo de errado. Nossa deterioração moral e ética chegou a um nível tal, que muita gente acha 'impossível' alguém simplesmente fazer o correto e buscam uma 'explicação' que não existe. Não podemos mais tolerar a esculhambação que é a política do nosso país", escreveu o ex-ministro no Facebook.

Quanto à deputada, Calero disse não ter ligações com ela, e afirmou que a foto que circula foi tirada quando ele era secretário de cultura do município do Rio. Sobre sua filiação ao PSDB, explica que ficou no partido por "quase dez anos" e que, desde setembro de 2015, está no PMDB. "Jamais agiria a favor de terceiros", afirmou.

Calero denunciou Geddel por agir em benefício próprio ao tentar intervir numa decisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) na Bahia para a liberação da construção de um prédio em Salvador no qual tem um apartamento. Depois da revelação, Calero pediu demissão, seguido de Geddel, na semana seguinte.

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