Polícia pede prisão mais dura para Marcola, chefe do PCC

Em São Paulo

  • Rogerio Cassimiro/Folhapress - 08.06.2006

    Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola

    Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola

A Polícia Civil de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, pediu à Justiça a internação de 14 presos considerados da cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital) no RDD (Regime Disciplinar Diferenciado).

Entre os detentos que tiveram o pedido de transferência para o RDD está Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado chefe da facção criminosa.

Atualmente, a maioria dos acusados cumpre pena no Penitenciária 2 (P2) de Presidente Venceslau e, caso o pedido seja deferido, serão transferidos para Presidente Bernardes --única penitenciária paulista que dispõe desse regime.

O RDD é considerado o regime mais rígido do país. Nele, o preso fica 23 horas trancado na cela, tem direito a uma hora de banho de sol separado dos demais, não tem direito a visita íntima e a leitura de livros ou jornais deve ser autorizada pela direção do presídio, que dispõe de bloqueadores de telefone celular.

O pedido será analisado pelo Ministério Público e depois será avaliado pelo juiz responsável. A solicitação faz parte do desdobramento da Operação Ethos, que descobriu um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa, entre advogados e a cúpula do PCC.

O vice-presidente do Condepe (Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana), Luiz Carlos dos Santos, está entre os investigados. Ele foi preso com 33 advogados ligados ao PCC, quando a operação foi deflagrada, há cerca de 20 dias - sete suspeitos ainda estão foragidos. Santos foi afastado do cargo dias depois das prisões.

Em depoimento, o ex-integrante do Condepe, afirmou que recebia R$ 4,5 mil mensais do PCC para fazer falsas denúncias de abusos praticados por policiais contra suspeitos de crimes. Ele também era orientado a criticar duramente a polícia em entrevistas.

Santos, além de confessar todos os crimes, se dispôs a colaborar com a polícia e pediu proteção para a família, pois teria sido ameaçado de morte por um dos presos.

Segundo as investigações, os advogados visitavam integrantes da cúpula na P2 de Presidente Venceslau e recebiam ordens que deveriam ser repassadas para bandidos que estão nas ruas.

Os defensores também, ainda segundo a polícia, eram usados para lavar dinheiro do crime organizado. O Ministério Público Estadual (MPE) apurou que o PCC gasta cerca de R$ 6 milhões com pagamentos para advogados e fatura aproximadamente R$ 200 milhões por ano só com o tráfico de drogas.

Na ,última semana, representantes de alguns advogados presos impetraram 11 habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para que os acusados respondam às acusações em liberdade. Todos foram negados pelos desembargadores.

Para a polícia, não há dúvida de que todos os fatos descobertos na Operação Ethos tiveram participação efetiva da cúpula do PCC. Os investigadores alegam que os 14 presos citados devem ficar isolados para que a "cadeia de comando" seja interrompida.

Médicos

Na sexta-feira, o promotor Lincoln Gakiya denunciou à Justiça os 14 detentos, 39 advogados e mais o ex-conselheiro do Condepe, por crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e lavagem de dinheiro. O juiz Gabriel Medeiros aceitou a ontem denúncia e determinou a quebra do sigilo bancário e fiscal dos réus.

Gakiya também investiga médicos particulares que atenderam os integrantes da cúpula do Primeiro Comando da Capital. São dermatologistas, clínicos, fisioterapeutas e até massagistas que cobraram um preço bem acima do de mercado para prestar os atendimentos. Em 2015, segundo as investigações, os médicos fizeram para o PCC uma centena de cirurgias.

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