Estado e Prefeitura entregam menos de 1% das moradias prometidas em PPP

São Paulo - Com três meses de atraso, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT) entregaram só 126 dos 20 mil (0,6%) apartamentos prometidos na primeira Parceira Público Privado (PPP) da habitação no País em evento nesta quinta-feira, 29, na Rua São Caetano, na Luz, região central de São Paulo. Estado e Prefeitura culpam a falta de interesse do setor privado.

"Parceria público privada você precisa ter privado interessado. Se você não tem empresa interessada, ela não existe, não é uma obra publica. Nós fizemos a PPP, só este lote teve interessados", disse Alckmin. "O prazo é seis anos para a PPP estar completa, nós estamos antecipando", disse.

Além das unidades entregues, estão previstas mais 91 unidades em prédio na Alameda Glete, já em obras, e mais 1.200 apartamentos na região da Nova Luz, que devem ter as obras iniciadas só em 2017.

O projeto da PPP foi anunciado um mês depois de Haddad ter assumido a Prefeitura de São Paulo, em 2013, e prevê investimentos nos empreendimentos de R$ 4,6 bilhões, sendo que a Prefeitura deve investir R$ 404 milhões, média de R$ 20 mil por unidade habitacional. A iniciativa privada ficará com o custo de R$ 2,6 bilhões e a contrapartida do governo do Estado de São Paulo, a fundo perdido, deve ser de R$ 1,6 bilhão, em parceria subsidiada pelo programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal.

À época do anúncio foram prometidos prédios nos distritos da Sé e República, e nos bairros do entorno do Brás, Bela Vista, Belém, Bom Retiro, Cambuci, Liberdade, Mooca, Pari e Santa Cecília. O maior número de unidades habitacionais - 7.076 - seria concentrado nos bairros da Barra Funda, Santa Cecília, Pari e Bom Retiro.

O ato foi marcado pela presença de militantes do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), uma das entidades que mais cobraram a entrega das moradias. Durante os discursos dos políticos, o grupo gritou "Fora, Temer!".

Apesar da presença entre políticos antagonistas no cenário eleitoral - Haddad, derrotado na eleição municipal, o prefeito eleito João Doria (PSDB) e Alckmin - o clima foi de elogios. Eles ressaltaram o apoio mútuo para "além" dos partidos que pertencem. "Tomei a liberdade de logo depois da minha posse ligar para o governador Geraldo Alckmin e demonstrar, logo no primeiro momento, que eu jamais ia colocar interesses partidários acima dos interesses da população", disse Haddad. "A gente tem que reaprender a fazer política no Brasil. Os ânimos estão muito acalorados e a gente tem que colocar o interesse social acima de qualquer outro interesse pessoal, político, partidário, porque senão a população fica prejudicada".

Haddad também elogiou o prefeito eleito João Doria, que esteve no evento, mas não falou com a imprensa pois tinha outra agenda em seguida. "Estamos fazendo uma transição de alto nível. Já éramos amigos há muito tempo, continuamos amigos independentemente da questão partidária, e no que depender de mim não vai ser só torcida. No que eu puder colaborar, sabe que sempre vai poder contar comigo".

Doria fez o mesmo. "Meu amigo, com o qual tenho feito uma excelente transição.

Nossa relação é a melhor possível, a mais amistosa possível. Nos falamos praticamente todo dia, duas ou três vezes por dia e assim será até o último dia e nos dias sucessivos, já que o prefeito Fernando Haddad assume também uma posição no Conselho Superior da cidade de São Paulo".

Já Alckmin ressaltou que Haddad fez um "belo trabalho" em seu mandato e disse que Doria pode "contar" com o governo do Estado.

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