Propina pagou nos EUA até escola de cinema de filho do assessor de Cabral

Em São Paulo

  • Rodrigo Félix/Agência de Notícias Gazeta do Povo/Estadão Conteúdo

    Ministério Público investiga pessoas e empresas acusadas de integrar um esquema de corrupção liderado por Sergio Cabral (foto)

    Ministério Público investiga pessoas e empresas acusadas de integrar um esquema de corrupção liderado por Sergio Cabral (foto)

Enquanto o Estado do Rio enfrenta uma grave crise econômica, com parcelamento de salários de seus funcionários, e pede ajuda do governo federal, o dinheiro da propina que ultrapassa US$ 100 milhões arrecadada pelo grupo do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) era usado para pagar, até uma semana atrás, despesa com curso de cinema na New York Film Academy para o filho mais velho do ex-assessor e "homem da mala" do peemedebista, Carlos Miranda. Os dois, Sérgio Cabral e Carlos Miranda, estão presos em Bangu 8.

No pedido de prisão do ex-governador e do empresário Eike Batista, no âmbito da Operação Eficiência, deflagrada nesta quinta-feira (26), o Ministério Público Federal não detalha como Lucas, o filho de Miranda, pediu aos operadores para efetuarem o pagamento - já que Carlos Miranda está preso desde o dia 17 de novembro de 2016, quando foi deflagrada a Operação Calicute.

Os procuradores identificaram na quebra de sigilo dos e-mails do "homem da mala" uma mensagem do filho dele, em 6 de janeiro deste ano, encaminhando a cobrança da mensalidade da escola americana.

Documentos entregues pelos operadores do mercado financeiro Renato Chebar e Marcelo Chebar - que fecharam delação premiada com a força-tarefa da Operação Eficiência - revelam que Lucas Miranda e até sua namorada Iasmine Bon tiveram pelo menos a mensalidade de janeiro deste ano do curso na renomada escola de cinema paga com dinheiro da conta Andrews Development, nas Bahamas.

Andrews é uma das nove contas usadas pelo grupo de Sérgio Cabral para movimentar propina. Ela era controlada por Renato Chebar, que resolveu colaborar com as investigações e detalhar como funcionava a movimentação financeira ilícita da organização criminosa supostamente liderada por Sérgio Cabral.

Para a força-tarefa da Lava Jato no Rio, "documentos juntados pelos colaboradores, dando conta do pagamento de USD 14.045,00 (catorze mil e quarenta e cinco dólares) para Lucas Miranda e USD 9.045,00 (nove mil e quarenta e cinco dólares) para Iasmine Bon, falam por si só".

Os procuradores chegam a identificar Lucas e Iasmine no Facebook, mas não atribuem nenhum crime ao casal.

Carlos Emanuel de Carvalho Miranda era uma das figuras mais próximas de Cabral ligadas à organização criminosa supostamente liderada pelo ex-governador. Ele era sócio, ex-assessor de confiança e quase da família - foi casado com uma prima de primeiro grau do peemedebista.

Ainda segundo o Ministério Público Federal, Miranda trabalha com Sérgio Cabral, formalmente, em cargos públicos de confiança pelo menos desde 1988. Os dois foram sócios em uma empresa de comunicação durante o mandato do peemedebista como senador, de 2003 a 2006.

Apesar de não ter assumido cargos no governo do Estado durante a gestão de Sérgio Cabral (2007-2014), Carlos Miranda era um dos operadores responsáveis por articular e cobrar a arrecadação de propina no esquema de corrupção montado pelo grupo do então governador.

"A confiança que Sérgio Cabral deposita em Carlos Miranda é tanta que ele delega até mesmo a transmissão de sua declaração de imposto de renda, como restou comprovado após a quebra do sigilo fiscal de ambos", assinalaram os procuradores ao pedirem a prisão do ex-assessor em novembro do ano passado.

Agora, com as novas revelações dos delatores sobre as atividades do grupo criminoso, a força-tarefa no Rio pediu e o juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal do Rio, decretou novamente a prisão preventiva de Miranda, Cabral, Eike e outras seis pessoas.

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