Opositor venezuelano pede apoio do Brasil para garantir eleições

Em Brasília

  • Andressa Anholete/AFP

    O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Julio Borges (esq), se encontra com o chanceler brasileiro, José Serra, em Brasília

    O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Julio Borges (esq), se encontra com o chanceler brasileiro, José Serra, em Brasília

Em visita ao ministro das Relações Exteriores, José Serra, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, deputado Julio Borges, pediu apoio ao Brasil para garantir a realização das eleições naquele país.

"O Brasil pode fazer muito", disse ele após o encontro.

A ideia é pressionar o presidente Nicolás Maduro por meio da Unasul, que tem atuado pelo diálogo entre governo e oposição naquele país.

Borges falou com Serra sobre a prisão de parlamentares da Venezuela e a retenção, pelo governo, dos passaportes de vários deles - inclusive de integrantes da comissão de Relações Exteriores. Ele articula a realização de um encontro dos presidentes dos legislativos dos países da América Latina, em apoio ao parlamento venezuelano. Porém, ainda não há data marcada.

O parlamentar também manifestou preocupação com o fato de, apesar de haver prometido a realização de eleições, o governo ainda não a haver convocado. O pleito deve se estender a governadores e prefeitos.

"Eleições não são um presente do governo, elas estão na Constituição Federal", afirmou. "Maduro atua como se fosse um presidente forte, mas ele é fraco, pois o que lhe resta é suspender as eleições."

Na conversa, eles falaram também sobre a situação dos mais de 160 presos políticos e sobre ajuda humanitária. O deputado disse que o Brasil ofereceu alimentos e remédios, mas o governo venezuelano recusou.

"Enquanto isso, a população está morrendo de fome, comendo lixo nas ruas, e morrendo por falta de medicamentos", lamentou.

A Unasul, foro que ainda consegue manter interlocução no país, está em processo de transição. Com o fim do mandato do ex-presidente da Colômbia Ernesto Samper na secretaria-geral, há indefinição sobre a linha política que adotará. Borges avaliou ser possível que ela mude. A Argentina tem um candidato à vaga, José Octavio Bordon, que é apoiado pelo Brasil. A escolha se dá por consenso.

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