Renan: se Padilha não voltar, Cunha vai sentar Gustavo Rocha na Casa Civil

Julia Lindner e Erich Decat

Brasília

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), pediu que o ministro licenciado da Casa Civil, Eliseu Padilha, volte "imediatamente" ao cargo. Afastado por razões médicas, Padilha recebeu alta nesta quarta-feira, 8, e deve voltar ao governo na próxima semana.

Caso contrário, Renan afirma que um aliado do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba, assumirá o posto. O peemedebista se referiu diretamente a Gustavo Rocha, atual subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil. Rocha foi advogado de Cunha e chegou a ser cotado para assumir o Ministério da Justiça no lugar de Alexandre de Moraes, há cerca de um mês.

Segundo Renan, outros aliados de Cunha no Congresso estão em meio a uma ofensiva para conquistar cargos no governo. "Depois de avançar sobre o governo, o PMDB de Cunha vai avançar sobre o partido", afirmou. Renan criticou indicações recentes de Michel Temer para cargos no governo, citando o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), nomeado como ministro da Justiça, o deputado André Moura (PSC-SE) como líder do Congresso e o deputado Aguinaldo Silva (PP-PB), que assumiu a liderança do governo na Câmara. Todos são aliados de Cunha. "Você imaginaria em uma outra circunstância o Osmar como ministro da Justiça", questionou.

O líder do PMDB no Senado também demonstrou desconforto com a iniciativa de Carlos Marun (PMDB-MS), membro da tropa de choque de Cunha, que preparou uma carta pedindo o afastamento imediato de investigados na Operação Lava Jato do comando nacional do partido.

O atual presidente da legenda, senador Romero Jucá (PMDB-RR), é alvo de oito inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), dos quais três são da Lava Jato. Para Renan, a bancada do PMDB na Câmara "sempre teve" Cunha como um líder e agora Marun seria o seu "porta-voz". "O PMDB não pode ser comandado por Marun e Cunha", reforçou.

Ainda de acordo com Renan, por conta dessa ofensiva haveria uma "briga" entre o grupo do deputado cassado e o PSDB. "O PMDB tem que negociar as relações entre o PMDB de Eduardo Cunha e o PSDB. E, nessa disputa, eu sou radicalmente PSDB", declarou. O peemedebista disse ainda que é melhor "um governo formado pelo PSDB do que pelo Eduardo Cunha", destacando que os tucanos são "estratégicos" para o governo.

O parlamentar afirmou que é preciso "compreender os sinais" da política. Ele lembrou ainda decisão do juiz federal Sergio Moro, que negou metade das questões perguntas feitas por Cunha para Temer. "Moro disse há 20 dias que o presidente Temer estava sendo chantageado. Ele negou as perguntas para defender o presidente das chantagens", declarou. Renan afirmou que não sabe por que Temer está aceitando aliados de Cunha no governo, mas reforçou que há diversos sinais indicando que o grupo de Cunha está fortalecido. "Se Temer não compreender dessa forma, é porque não está compreendendo as próprias decisões que o governo está tomando. Se não compreender assim, é porque está equivocado sobre as decisões que tomou", declarou o peemedebista.

Renan falou sobre suas preocupações durante reunião da bancada do PMDB no Senado, em reunião realizada ontem, e recebeu o apoio de aliados. Ele também conversou sobre o assunto hoje com o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência).

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