Em meio à crise com Renan, Temer faz ofensiva com senadores peemedebistas

Carla Araújo e Tânia Monteiro

Brasília

Em meio à continuidade de críticas que tem recebido do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, o presidente Michel Temer tem feito uma ofensiva com senadores do partido para garantir o apoio necessário para as propostas que estão no Congresso, principalmente a da reforma da Previdência, na qual o governo prevê muitas dificuldades nas duas casas. Esse movimento busca neutralizar a força e a influência de Renan - que é líder da bancada - sobre os senadores

Hoje à noite, Temer receberá quatro senadores peemedebistas no Palácio do Jaburu. Estarão presentes, segundo fontes do Planalto: a senadora Rose de Freitas (ES), Garibaldi Alves (RN), João Alberto Souza (MA) e Valdir Raupp (RO).

Também nesta quarta-feira, Temer almoçou com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e com os senadores Airton Sandoval (PMDB), que assumiu a vaga com a licença de senador paulista Aloysio Nunes que agora é ministro das relações exteriores. Também participou do almoço o senador Elmano Férrer (PMDB-PI).

Hoje, Renan voltou a dizer que "o presidente Michel Temer não tem para onde ir". No início do discurso, ele afirmou que iria retificar a declaração, feita a aliados durante jantar da bancada ontem à noite, mas acabou reforçando o posicionamento. A fala gerou desconforto em parte da bancada. Ao final do pronunciamento, a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) correu para repreender o líder. "Ele repetiu no microfone o que disse ontem, só que aqui ele é líder da bancada", ponderou a parlamentar. Para ela, Renan tem que representar o sentimento dos peemedebistas. Como reação, o senador riu e pediu "calma".

Ontem, em São Paulo, Temer também se encontrou com a senadora Marta Suplicy em um evento da Fiesp. Após o encontro com o presidente, Marta foi uma das ausências do jantar na bancada na casa da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), do qual Renan participou. Marta foi uma dos nove senadores do partido que assinou a carta coordenada por Renan recomendando que não sancionasse a lei de terceirização. Segundo uma fonte do Planalto, na conversa ontem em São Paulo, Temer teria minimizado a resistência da senadora em relação à proposta.

Sem enfrentamento

Apesar da ofensiva de certa forma "isolar" Renan, auxiliares do presidente reforçam que ele nunca fechou a porta para o ex-presidente do Senado e que tem - ao longo de diversas crises que já enfrentou com Renan - procurado manter o dialogo de forma direta ou por meio de ministros - como Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência). "O presidente tem um perfil de diálogo e vai conversar sempre com quem quiser conversar. A ideia é cozinhar galo velho em fogo branco", afirmou um interlocutor.

A ordem é evitar enfrentamento e a o efeito cascata que as declarações críticas de Renan possam trazer ao governo. Temer - segundo uma fonte - está "obstinado" com a reforma da previdência, não quer despender energia com outra coisa e sabe que qualquer dificuldade adicional pode transformar uma marola em um tsunami. Um auxiliar reconheceu que é preciso acalmar o ânimo de Renan para evitar que esse desgaste prejudique ainda mais os difíceis trabalhos para a aprovação da reforma, que depende do elevado quórum nas casas.

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