Rapaz morto na Cracolândia estava com carteira de Bombeiro Civil

Felipe Resk

São Paulo

A Polícia Civil confirmou nesta quarta-feira, 10, que o rapaz encontrado morto na região da Cracolândia no domingo, 7, portava uma carteira de Bombeiro Civil no dia em que desapareceu. Bruno de Oliveira Tavares, de 34 anos, era funcionário de uma empresa especializada em remoção clínica e psiquiátrica e foi morto após ter sido sequestrado, torturado e mantido em cárcere privado na Cracolândia.

A informação foi prestada pelo proprietário da Restart, em depoimento à Polícia, e é a principal razão pela qual os investigadores acreditam que, inicialmente, a vítima foi confundida com um policial.

Segundo investigações, Bruno teria tentado se defender da ameaça dos traficantes dizendo que era criminoso também, mas 'errou' porque disse que era do Comando Vermelho (CV), facção rival do PCC. Segundo a Polícia, Bruno, que era carioca e tinha sotaque, tinha o costume de brincar com os amigos de SP dizendo que era do CV. A polícia diz que ele não fazia parte de nenhuma facção criminosa.

Carioca, Tavares estava há cerca de 20 dias em São Paulo e trabalhava para a empresa Restart. O serviço de remoção de pacientes havia sido contratado pela mãe de uma jovem de 27 anos, que é usuária de drogas e trava uma rotina de idas e voltas na Cracolândia, segundo investigadores.

Ele e o proprietário da empresa foram até a Alameda Dino Bueno na última quarta, 3. Por volta das 15h, eles perguntaram a um "disciplina", espécie de coordenador do crime na área, sobre o paradeiro da jovem, segundo relatou o empresário na delegacia. O traficante, porém, teria exigido a presença da mãe dela no local.

O proprietário, então, foi buscá-la na ambulância, que estava estacionada a cerca de 300 metros do lugar. Minutos depois, ao retornar com a mulher, Tavares já havia sumido. Aos policiais, a testemunha disse ter questionado o criminoso. "Ele ficou pagando que era do Comando Vermelho, a gente levou para questionar", teria respondido. "Se não for, a gente solta."

O empresário só foi ao 3;º Distrito Policial (Campos Elísios) registrar um boletim de ocorrência no dia seguinte. Ele justificou que ficou procurando por Tavares até de noite e que a mulher da vítima, moradora do Rio, havia conseguido falar com ele por celular, às 20h30. Tavares teria dito que "estavam segurando ele lá", que "estava bem" e que "não poderia falar mais nada". Segundo as investigações, as mensagens de Whatsapp chegavam a ser visualizadas, mas ficavam sem resposta.

Droga

Na delegacia, o empresário também relatou que Tavares foi usuário de droga, mas "estava limpo" há um ano. No último exame toxicológico dele, feito recentemente, o resultado deu negativo para maconha e cocaína.

Sem a certeza sobre o local do cativeiro, a Polícia acionou informantes e infiltrou agentes na região. Investigadores afirmam que Tavares foi rendido por dois a três "disciplinas" e levado para um imóvel na Cracolândia, ainda não identificado, onde passou por interrogatório e tortura. Os traficantes também teriam encontrado um "crachá de segurança" com ele - o que reforça a hipótese de que a vítima foi confundida com um agente policial.

A Polícia Civil tem informações de que Tavares ainda estava vivo na sexta-feira, 5, e acredita que ele foi assassinado na noite de sábado para domingo. Agora, os investigadores tentam identificar os criminosos que o renderam, além dos responsáveis por interrogá-lo, pela ordem de execução e por consumar o homicídio.

O delegado Osvany Zanetta Barbosa, titular do 3º DP, que registrou o caso, disse ter comunicado imediatamente a ocorrência à Polícia Militar, mas a Tropa de Choque não recebeu autorização para agir. "Haveria consequências porque os usuários sempre reagem à entrada de policiais. E não havia certeza de que o cativeiro era lá dentro."

Moradores do Bom Retiro encontraram o corpo da vítima no domingo, 7, na Rua Neves de Carvalho, a menos de 3 km da Cracolândia. O cadáver foi reconhecido no Instituto Médico Legal (IML) pelo pai de Tavares nesta terça-feira, 9.

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