Ninguém do PT nos procurou após prisão, diz delatora

Fausto Macedo, Rafael Moraes Moura e Breno Pires

São Paulo e Brasília

  • Zanone Fraissat/Folhapress

A empresária Monica Moura reclamou, em sua delação premiada, que ninguém do PT procurou a ela ou ao seu marido, o publicitário João Santana, para prestar solidariedade quando foram presos pela Polícia Federal, em fevereiro de 2016, na Operação Acarajé, desdobramento da Lava Jato.

Em depoimento a procuradoras da República, Monica foi indagada. "Na prisão alguém do Partido dos Trabalhadores procurou vocês?"

"Nunca, nem nossos filhos pra dizer uma palavra de apoio, nunca", respondeu a delatora.

"A Dilma não?", indagou uma procuradora.

"Nunca."

"Nenhum emissário da Dilma?"

"Nunca, nunca."

"Não tinham medo que vocês falassem alguma coisa?", seguiu a procuradora.

"Imagino que sim, imagino que sim, mas nunca mandaram nenhum recadinho de apoio, nem um recadinho de ameaça, nem um recadinho de medo, nenhuma... nada, nada, zero, nem ela (Dilma)", afirmou Monica.

"Por que isso?"

"Sei lá, medo de se envolver em alguma coisa, medo de... sei lá, medo, desespero."

"Nem Lula?"

"Não, nunca mais desde essa época, tem um ano, que não falamos com nenhum deles."

A procuradora perguntou, então, se quando ainda estavam em liberdade, mas já acuados pela Lava Jato, se não pensaram em falar com o ex-presidente Lula.

"Não, com Lula não", disse Monica.

"João não falou com Lula?"

"Com Lula, não. Nessa época, não. Isso foi em 2015 já."

"Não tinham a impressão que como Dilma não estava resolvendo, Lula não podia interceder?"

"Dilma era presidente da República. Se ela não podia resolver, imagina Lula que não era mais nada. Era uma coisa que não tinha saída, não tinha muito o que fazer. Fugir a gente não ia jamais. Ela (Dilma) não podia chegar e proibir nossa prisão."

Defesa

Em nota enviada à imprensa na quinta-feira, 11, após o Supremo Tribunal Federal (STF) liberar o sigilo da delação do casal, a assessoria de Dilma Rousseff disse que João Santana e Mônica Moura "prestaram falso testemunho e faltaram com a verdade em seus depoimentos, provavelmente pressionados pelas ameaças dos investigadores". "Apesar de tudo, a presidente eleita acredita na Justiça e sabe que a verdade virá à tona e será restabelecida", afirma a nota. COLABORARAM BERNARDO GONZAGA E LIANA COSTA, ESPECIAIS PARA AE

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