Delatora afirma que Henrique Alves pediu para pagar campanha em 2002 por fora

Julia Affonso

São Paulo

  • Alan Marques/ Folhapress

    18.nov.2014 - Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN)

    18.nov.2014 - Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN)

Em depoimento do Ministério Público Federal, a empresária Mônica Moura declarou que, em 2002, acertou caixa 2 para a campanha de Henrique Eduardo Alves (PMDB) ao governo do Rio Grande do Norte. A combinação, segundo a delatora e mulher do marqueteiro João Santana, se deu com o próprio Henrique Alves, ex-ministro do Turismo no governo de Michel Temer.

Mônica Moura relatou que o peemedebista era o candidato do então governador Garibaldi Alves Filho ao governo naquele ano. Segundo a empresária, Henrique Alves deixou a campanha no início, "antes de começar o horário gratuito", e deu lugar a Fernando Freire.

"Essa campanha foi mais ou menos uns 4 milhões, 4,5, 5 milhões o valor acho que do primeiro turno, que foi pago da mesma forma. Esse meu acerto de campanha foi feito com Henrique Alves, porque ele era o candidato, então acertei diretamente com ele e que receberia, e aí, ele pediu para pagar uma parte por fora e uma parte por dentro. Nós tivemos um contrato menor, nessa época, bem menor do que a parte paga em caixa 2. Ele mandou alguém pagar", declarou.

A delatora relatou que após a saída de Henrique Alves, "assumiu o Fernando Freire, que era o vice do Garibaldi".

"Ele virou o candidato de repente e nós fizemos a campanha com ele", afirmou. "Logo no início, eu não me lembro como foi, o que foi que a gente recebeu durante o pequeno período em que o Henrique Alves foi candidato. Mas logo depois assumiu Fernando Freire, que era o governador, e aí Fernando Freire assumiu o pagamento dessa parte não oficial. Ele mandava gente dele entregar dinheiro a gente no hotel em que a gente estava", relatou.

A empresária afirmou que o hotel se chamava Ayambra. "Acho que existe até hoje em Natal."

O Ministério Público Federal perguntou a Mônica Moura sobre o porquê de Henrique Eduardo Alves ter acertado o pagamento dos custos.

"Porque ele ia ser o candidato, ele era o candidato. Ele que ia resolver, ele tinha condições de resolver os pagamentos, né? Eu nunca falei de dinheiro com Garibaldi, foi sempre com Henrique Eduardo Alves", narrou.

Defesas

O advogado Marcelo Leal de Lima Oliveira, que defende Henrique Eduardo Alves, diz que as afirmações de Mônica Moura "sobre fatos ocorridos há quase 15 anos não são verdadeiras".

"Henrique Eduardo Alves jamais discutiu contrato de propaganda para campanha ao cargo de Governador do Rio Grande do Norte com Mônica Moura", diz a nota. "No ano de 2002 Henrique já chegou à convenção do PMDB, realizada no mês de junho, como candidato a Deputado Federal e sua campanha foi realizada por publicitários do Rio Grande do Norte."

O advogado Flaviano Fernandes, do ex-governador Fernando Freire, disse que a defesa vai adotar "apenas a descrição de nos manifestarmos nos autos se existirem autos que venham apurar esse fato, visto que já se encontram prescritos - faz 15 anos".

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