Defesa diz que prisão é desnecessária e que integridade física de Geddel está nas mãos da PF

Luiz Vassallo, Fábio Serapião e Julia Affonso

São Paulo

  • Pedro Ladeira/Folhapress

    Geddel Vieira Lima foi preso nesta segunda-feira (03) na Bahia

    Geddel Vieira Lima foi preso nesta segunda-feira (03) na Bahia

O advogado de defesa do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), Gamil Föppel, afirmou, nesta segunda-feira (3) que o peemedebista foi "injustamente enredado no bojo da Operação Cui Bono" e que "deposita sua integridade física nas mãos da autoridade policial".

O político foi preso pela Polícia Federal na Bahia por determinação do juiz federal Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara do Distrito Federal. A detenção é de caráter preventivo e tem como fundamento elementos reunidos a partir de informações fornecidas em depoimentos recentes do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, do empresário Joesley Batista e do diretor jurídico do grupo J&F, Francisco de Assis e Silva, sendo os dois últimos, em acordo de colaboração premiada.

No pedido enviado à Justiça, os procuradores afirmaram que Geddel tem agido para atrapalhar as investigações. O objetivo de Geddel seria evitar que o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o próprio Lúcio Funaro firmem acordo de colaboração com o Ministério Público Federal. Para isso, segundo os investigadores, tem atuado no sentido de assegurar que ambos recebam vantagens indevidas, além de "monitorar" o comportamento do doleiro para constrangê-lo a não fechar o acordo.

Segundo o defensor de Geddel, a prisão não era necessária, já que ele se colocou anteriormente à disposição das investigações. A defesa do ex-ministro ainda reiterou "incompreensão" com a prisão preventiva, classificada como "absolutamente desnecessária".

"Decerto, diante da ausência de relevantes informações para sua decisão, inexplicavelmente não relatadas na representação policial, a autoridade judiciária infelizmente laborou em erro. Dessa forma, acabou por não considerar que, desde o momento em que o Senhor Geddel Vieira Lima se viu injustamente enredado no bojo da 'Operação Cui Bono', colocou-se à disposição das autoridades constituídas, para apresentar os documentos que lhe fossem solicitados, assim como comparecer a todos os chamados que eventualmente lhe fossem formulados, inclusive abrindo mão dos seus sigilos bancário e fiscal, assim como do seu passaporte", afirma o advogado Gamil Föppel.

A defesa sustenta ainda que "Joesley Batista foi enérgico em pontuar que jamais pagou propina (ou qualquer tipo de vantagem indevida) ao Senhor Geddel Vieira Lima".

"Sabedor da sua inocência e confiante na altivez do Poder Judiciário, o Senhor Geddel Vieira Lima segue inabalável na reparação do cerceamento às suas liberdades fundamentais, registrando que, estando custodiado, deposita sua integridade física nas mãos da autoridade policial", alega o advogado Gamil Föppel.

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