Lula recebeu notícia da condenação com 'serenidade do inocente', diz petista

Valmar Hupsel Filho

São Paulo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava no Instituto que leva seu nome, em São Paulo, quando soube de sua condenação. Segundo um dos vice-presidentes do PT, Márcio Macedo, Lula recebeu a notícia "com a serenidade do inocente e a indignação de um injustiçado".

Macedo informou que a Executiva Nacional do partido vai se reunir com representantes dos movimentos sociais e das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo ainda na tarde desta quarta-feira (12), para decidir sobre ações de reação política à condenação. Segundo ele, o ato que está sendo convocado nas redes sociais para esta tarde na Avenida Paulista não é organizado pelo PT.

"É uma manifestação voluntária de homens e mulheres de bem desse País que estão indignados com o que aconteceu. Não é uma movimentação organizada por nós, mas vamos tratar desse assunto com os movimentos sociais e vamos fazer mobilizações pelo País", disse.

Segundo Macedo, a presidente nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PR) vai divulgar uma nota de repúdio a qualquer momento. Ela deve chegar em São Paulo nesta quinta-feira (13) para discutir as próximas ações. Além disso, deputados e senadores do PT e partidos aliados vão fazer discursos de repúdio à condenação nas tribunas da Câmara e Senado.

Questionado se já foi discutido se a condenação tornaria inviável uma eventual candidatura de Lula em 2018, Macedo disse que o assunto não foi discutido. "Estamos indignados com o que aconteceu", disse. Segundo Macedo, Lula vai se pronunciar "na hora adequada".

Lula condenado

O juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, condenou a nove anos e seis meses de prisão em regime fechado, nesta quarta-feira (12) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista era acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, crimes nos quais estaria envolvido um apartamento tríplex no Guarujá (SP). Ainda cabe recurso.

Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela acusação de ter sido beneficiado com o tríplex. Na mesma sentença, Moro absolveu o ex-presidente pelas "imputações de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o armazenamento do acervo presidencial por falta de prova suficiente da materialidade".

Na sentença, Moro afirma que crime corrupção envolveu a destinação de R$ 16 milhões "a agentes políticos do Partido dos Trabalhadores, um valor muito expressivo". "Além disso, segundo o juiz, o crime foi praticado em um esquema mais amplo no qual o pagamento de propinas havia se tornado rotina".

O juiz apontou "culpabilidade elevada" de Lula, que recebeu, segundo ele, "vantagem indevida em decorrência do cargo de presidente da República, ou seja, de mandatário maior".

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