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Associações criminosas mantêm silêncio para beneficiar protegidos, diz Davigo

24/10/2017 10h46

O presidente da seção criminal da Corte de Cassação da Itália, Piercamillo Davigo, afirmou nesta terça-feira, 24, durante o Fórum Estadão Operação Mãos Limpas & Lava Jato, que o comportamento típico das associações criminosas é "manter o silêncio para beneficiar seus protegidos". O magistrado participa do encontro que debate as operações Mãos Limpas e Lava Jato.

"Manter o silêncio é um direito para a pessoa que se defende, mas dá um grande poder em relação a seus cúmplices, que fazem carreira política. Isso vai mortificar quem é juiz. É o comportamento típico das associações criminosas: manter o silêncio para beneficiar seus protegidos", afirmou o italiano.

Piercamillo Davigo foi promotor durante a Operação Mãos Limpas. A ação promoveu há 25 anos a maior ofensiva contra a corrupção da Itália.

"Empresas envolvidas nos fatos começaram a fazer algumas escolhas internas, de contar aquilo que poderia ser descoberto, principalmente devido a investigações bancárias que estavam em andamento. Políticos começaram a confessar. (…) Mas muitos faziam carreira política porque mantinham o silêncio. É um problema sobre o qual não refletimos muito na Itália, na época", relatou.

"Aqueles políticos que ficaram calados, ou que escolheram dizer apenas parte do que sabiam, tiveram carreiras políticas espetaculares. Esse é um aviso que faço porque pode ocorrer o mesmo fenômeno."

Também participam do encontro o juiz federal Sérgio Moro, figura maior da Operação Lava Jato, o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa que descobriu o escândalo de corrupção na Petrobrás, e o magistrado Gherardo Colombo, também das Mãos Limpas.

O evento é uma associação entre o jornal O Estado de S. Paulo e o Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP). O painel, reservado para convidados, será mediado pela jornalista Eliane Cantanhêde, colunista do Estado, e pela economista Maria Cristina Pinotti, do CDPP. Terá ainda a participação do diretor de Jornalismo do Estado, João Caminoto, e do economista Affonso Celso Pastore, do CDPP.