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Corrupção na Itália não diminuiu, mesmo após anos de investigação, diz Colombo

Thaís Barcellos e Altamiro Silva Junior

São Paulo

24/10/2017 10h24

O ex-juiz e promotor à época da Operação Mãos Limpas Gherardo Colombo, afirmou que a corrupção na Itália não diminuiu após a investigação. "Olhando retrospectivamente hoje, podemos entender que a corrupção na Itália não diminuiu absolutamente", disse o juiz, que participa nesta terça-feira, 24, do Fórum Estadão Operação Mãos Limpas & Lava Jato. Ele ainda disse esperar que a experiência da Itália contribua para o caso brasileiro.

Segundo ele, após 13 anos de operação quase todo significado das ações contra corrupção foi desvanecido por uma série de motivos. "No final, 40% dos envolvidos condenados saíram do processo por prescrição dos crimes. Um porcentual foi absolvido e, em meio a isso, o Parlamento havia mudado o tipo de punição para alguns crimes", disse Colombo.

Ele afirmou que não faltavam provas, mas disse que o sistema de corrupção era muito forte e generalizado a ponto de proteger-se. "De forma a ter hoje a mesma corrupção na Itália do que quando começou a Mãos Limpas", reforçou. Ainda declarou que o esquema italiano envolvia presidentes, empresários, políticos e também o cidadão comum.

O ex-juiz italiano disse que as reações contra a operação não partiram somente dos políticos, mas da própria sociedade. "À medida em que o tempo passava, mudava a percepção sobre os envolvidos", afirmou Colombo sobre a resposta dos cidadão. "Era absolutamente sufocante, nós no palácio de Justiça não podíamos sair sem que uma equipe de TV não nos seguisse", falou sobre as perseguições que a equipe da Mãos Limpas sofreu.

"No início era muito fácil encontrar provas de corrupção", disse Gherardo Colombo. "Tínhamos filas de pessoas na frente das nossas casas que vinham nos contar coisas que nós nem imaginávamos. Depois de um tempo, a atitude mudou", completou.

Também participam do encontro em São Paulo o juiz federal Sérgio Moro, figura maior da Operação Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa, e o juiz italiano Piercamillo Davigo, da Operação Mãos Limpas, presidente da seção criminal da Corte de Cassação da Itália.