Em exposição, ex-consulesa francesa afirma querer provocar sociedade brasileira

Sara Abdo

A exposição Pourquoi Pas nem foi inaugurada e já é alvo de polêmica porque "pinta de negro" rostos de personalidades como João Doria, Xuxa, Michel Temer, William Waack e Dilma Rousseff. "Se a Dilma fosse negra ela seria faxineira?", provoca Alexandra Loras, ex-consulesa francesa que escolheu se mudar para o Brasil.

Enquanto se diz "artivista", Alexandra é alvo de acusações de blackface, quando pessoas brancas escurecem a pele com maquiagem para retratar personagens negros. A prática costuma ser vista como uma forma estereotipada de retratar uma pessoa negra. "Não é blackface porque eu sou negra. Se a Gisele [Bünchen] fizesse a exposição, poderia ser considerado", responde Loras de forma categórica.

A ideia inicial da galeria surgiu há uns anos, enquanto Alexandra pintava uma princesa francesa, porém com seu próprio rosto. Ela relata que, ao se deparar com o racismo e a falta de protagonismo negro no País, a ideia cresceu. A exposição, prevista para ser inaugurada no sábado, 2, será na Galeria Rabieh, no Jardim Europa, zona nobre da capital paulista. "É claro que o local da galeria faz parte da estratégia de chocar a sociedade", diz a francesa em uma resposta clara, apesar do sotaque pesado.

Alexandra esperava que a exposição provocasse um incômodo, mas a repercussão negativa e as acusações de blackface a pegaram de surpresa. "Não esperava tanta visibilidade pelos motivos que têm sido destacados, mas agradeço à mídia, que tem feito uma abordagem apropriada do assunto". A exposição está sendo criticada nas redes sociais, onde usuários estão minimizando a importância do tema.

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