A uma semana de julgamento de Lula, segurança quebra rotina de parque em Porto Alegre

Ricardo Brandt, enviado especial

Porto Alegre

Um desassossego quebrou a ordem no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, que de tão calmo a maioria nem conhece pelo nome, mas sim pelo apelido, Parque Harmonia. No Praia das Belas - assim no masculino mesmo, porque é um bairro e as águas que o banham são do Rio Guaíba, não do mar - quatro policiais a cavalo passam ao lado do taxista Cledir Teixeira, de 48 anos, que estranha. "Aqui sempre tem um ou outro policial, mas hoje tem bastante. Deve ter acontecido alguma coisa...", diz intrigado o taxista, em frente ao prédio do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre.

 

Não há como não estranhar. A cavalaria fardada segue em direção a outros quatro homens da Brigada Militar, dois deles com um cão estão em um camburão verde oliva e outros dois em motocicletas. Há menos de 500 metros dali, no acesso da Avenida Augusto de Carvalho para a rua que cruza o parque outras duas viaturas paradas.

 

Todos vigiam o prédio onde os três desembargadores da 8ª Turma do TRF-4 - a segunda instância da Operação Lava Jato de Curitiba - julgarão na próxima quarta-feira, 24, recurso contra a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo do tríplex do Guarujá (SP).

 

A uma semana do julgamento, o esquema de segurança foi reforçado nesta terça-feira, 16, na capital gaúcha. O efetivo de policiais da Brigada Militar foi aumentado na área da sede do tribunal. Desde o início do ano foi criado um Grupo de Gestão Integrado entre as forças de segurança pública do Rio Grande do Sul, em parceria com a União e município.

 

"A democracia pressupõe a convivência de contrários, respeito à divergências, então os contras e os à favor querem se manifestar, vão se manifestar democraticamente. Queremos protegê-los e proteger a população de Porto Alegre. Não queremos nenhum incidente violento, queremos respeito à ordem pública e à lei", afirmou o secretário da segurança pública do Rio Grande do Sul, Cezar Schirmer.

 

Isolamento

 

O secretário afirmou que a definição do perímetro em torno do TRF-4 foi uma das primeiras preocupações do GGI. "Nós definimos uma perímetro em torno do Tribunal. A área dificulta a ação operacional por ser um parque. Se fosse só uma rua facilitaria, porque se fecha ela e pronto", afirmou Schirmer.

 

A Secretaria da Segurança Pública pediu o fechamento de todos os prédios públicos do Parque Harmonia no entorno da sede do TRF-4. O secretário encaminhou o pedido formal para os órgãos do governo e disse ter recebido um "ok" informal. "Acho que não haverá problemas", disse.

 

Segundo ele, a Câmara de Vereadores que está nesse perímetro já concordou em suspender as atividades no dia anterior, ao meio-dia, como acontecer no TRF-4. "Tem o Ministério Público Federal que já decidiu isso, pedi ao ministro da Justiça e ao Gabinete de Segurança Institucional que também suspendam o expediente no dia anterior ao meio-dia do Ministério da Fazenda, Receita Federal, Ministério da Agricultura e Incra, IBGE e Serpro que são os órgãos que têm ali."

 

O secretário explicou que mesmo fechados e dentro da área do perímetro de isolamento, esses prédios ficarão sob segurança. "Também pedi ao ministro da Justiça para que a Força Nacional, que está aqui para nos ajudar no policiamento de Porto Alegre, são cerca de 150 pessoas, para que fossem autorizados a ajudar na proteção a esses prédios federais."

 

O secretário lembrou ainda que existe um restaurante e uma loja de tradições gaúchas, privados, no Parque Harmonia que já foram procurados pelo GGI e concordaram em manter as portas fechadas no dia do julgamento.

 

Reforço

 

Para evitar conflitos, a Secretaria de Segurança e os demais órgãos criaram o GGI, que une Brigada Militar do Estado, Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Rodoviária (estadual e federal), Abin, Exército, Bombeiros e Defesa Civil. O objetivo é cuidar do isolamento da área do prédio do TRF-4 e garantir que não haja conflitos e depredações na cidade.

 

Com mobilização de petistas, centrais sindicais e movimentos de trabalhadores sem-terra para realizar protestos e manifestações em defesa de Lula na data do julgamento e nos dias que o antecedem, o grupo vai impedir o acesso dos manifestantes ao local e definir áreas específicas para as concentrações.

 

As polícias rodoviárias farão o controle das entradas da cidade e a PF fará a segurança da área interna do TRF-4. Nesta quinta-feira, 18, uma reunião operacional do GGI definirá o papel de cada órgão e os acertos finais da operação.

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